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CUT São Paulo realiza seu 15º Congresso em clima de “Lula Livre”

Evento reúne cerca de 600 delegados e delegadas na cidade de Praia Grande

Publicado: 08 Novembro, 2019 - 20h20 | Última modificação: 08 Novembro, 2019 - 23h32

Escrito por: Vanessa Presse, Vanessa Ramos e Rafael Silva

Dino Santos/CUT-SP
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Emoção, lágrimas e o grito “Lula Livre” ocuparam o auditório da Colônia de Férias dos Vendedores e Viajantes de São Paulo, na cidade de Praia Grande, durante a abertura do 15º Congresso Estadual da CUT São Paulo (CECUT) realizado nesta sexta-feira (8).

Os cerca de 600 delegados e delegadas comemoraram a decisão do Supremo Tribunal Federal realizada no dia anterior, de que o início do cumprimento de pena de pessoas condenadas deve ocorrer apenas depois de esgotados todos os recursos de seus processos, o chamado trânsito em julgado. Por seis votos a cinco, a decisão do Supremo abrirá caminho para a liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o “Lula que é do povo”, o “Lula que é do Brasil”, como lembraram os dirigentes em suas falas.   

O presidente da CUT São Paulo, Douglas Izzo reforçou que o país assiste neste momento mais uma derrota da Operação Lava Jato e uma conquista dos movimentos sindical e sociais. "Vemos a vergonha de uma operação estampada no Brasil, esta operação que prendeu, assim como tantos brasileiros, a maior liderança de nosso país antes de esgotar todos os recursos possíveis. Que realizou uma farsa e cometeu um crime contra a maior liderança do Brasil, que nenhum crime cometeu. A liberdade de Lula significa a nossa resistência e a luta por um Brasil democrático e soberano".

Roberto Parizotti/CUT-SPRoberto Parizotti/CUT-SP
Presidente da CUT-SP, Douglas Izzo, em plenário 

Lideranças de centrais sindicais e de movimento sociais prestigiaram também a solenidade de abertura do 15º CECUT-SP e enalteceram a importância da realização do Congresso, principalmente na atual conjuntura.

Centrais sindicais unidas, trabalhadores organizados

O secretário geral adjunto da CUT Nacional, Aparecido Donizeti, explicou que o momento pede atenção dos trabalhadores, pois a política econômica de Paulo Guedes é uma afronta à classe trabalhadora. “É com nossa luta e organização que vamos enfrentar o que ainda está por vir, mas se estivermos unidos venceremos, e se hoje temos a liberdade de Lula é porque os trabalhadores foram para as ruas”.

Para Rene Vicente dos Santos, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil de São Paulo (CTB-SP), as entidades devem organizar os trabalhadores na luta em defesa de um país soberano. “Vivemos um momento de crise econômica e ambiental diante de um governo que quer aprofundar as reformas. Será preciso muita unidade da classe trabalhadora para reverter este cenário. É dentro deste marco da luta e da unidade que devemos seguir avançando”.

O presidente da Nova Central São Paulo, Luiz Gonçalves, foi enfático ao afirmar que o governo Bolsonaro quer arrochar de vez os direitos do funcionalismo público. Na ocasião, também reforçou a luta em defesa de Lula. “Queremos que anulem a picaretagem do Tribunal Regional Federal da 4ª Região”.

Representando a CGIL Lombardia, Elena Lattuada explicou que é preciso encontrar uma maneira de cooperação comum entre as organizações mundiais. “Só assim conseguiremos garantir o direito dos trabalhadores no Brasil e no mundo. E estaremos juntos neste momento de libertação do Lula”.

Roberto Parizotti/CUT-SPRoberto Parizotti/CUT-SP
 Pela CGIL Lombardia falou a dirigente italiana Elena Lattuada

Danilo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical São Paulo, discursou sobre a unidade do movimento sindical. “As propostas de reformas desse Governo atacam diretamente os servidores públicos, os trabalhadores em geral e também a estrutura sindical. O momento é de atenção e exige mais do que nunca a nossa luta e resistência” 

O povo nas ruas em defesa dos seus direitos

Integrante da coordenação nacional Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Delwek Matheus também falou sobre os retrocessos vivenciados nos últimos anos, ressaltando a resistência do povo contra todas as medidas de ataques do governo. "Sabemos que vimemos um momento crítico da história desde o golpe. Mas também sabemos que a luta de classe tem os seus ciclos de retrocesso e de avanço, e que só a resistência nos faz ter resultados, como a liberdade de Lula".

Cláudia Garcez, coordenadora do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e da Frente Povo Sem Medo, afirmou que o 15º CECUT-SP é um momento de reafirmar a aliança em defesa da democracia e dos direitos da classe trabalhadora. “Neste momento, onde podemos ter a esperança de ver o nosso presidente Lula livre, se fortalece ainda mais a nossa luta por um Brasil com mais igualdade, mais justiça e respeito aos direitos das trabalhadoras e trabalhadores”.

O coordenador estadual da União dos Movimentos de Moradia (UMM) da Grande São Paulo e Interior, Sidnei Pita, destacou que o governo federal paralisou obras, não pagou obras que estão em andamento e representa o retrocesso. “Vale muito a pena lutarmos por um governo democrático e vamos continuar nesta batalha. Continuaremos indo para as ruas para que o Brasil possa ser novamente feliz”.  

Por um Brasil sem desigualdades

Para o vice-presidente do PT-SP, Jilmar Tatto, mais relevante do que a decisão do STF, é a certeza que o presidente Lula é inocente. “Junto com Lula, a classe trabalhadora estará unida para libertar o povo brasileiro. Nossa luta é por um Brasil livre do preconceito, do autoritarismo, do desemprego, massacres, genocídios e feminicídios. Chega de desmatamento na nossa Amazônia, de vender o nosso pré-sal, chega de destruir nossa indústria nacional”.

Segundo Vanius Oliveira, secretário sindical do PCdoB São Paulo, estamos vivendo a luta da democracia contra a barbárie. “O primeiro sentimento é de angústia, indignação. Estão dilapidando princípios importantes da democracia, dos direitos dos trabalhadores e da soberania nacional. Por outro lado, estamos tomados por um sentimento de alegria e felicidade ao vermos a chance de Lula ler liberado”.

O representante da direção nacional do Partido da Causa Operária (PCO), Antônio Carlos, relembrou que o Congresso tem o papel de refletir e debater sobre as tarefas e desafios que estão por vir. “Sabemos que a liberdade de Lula é resultado de muita luta dos comitês, dos militantes que foram para as ruas colher assinaturas, da mobilização das organizações de luta, dentre essas a CUT. Nada caiu do céu para os trabalhadores, e é por isso que temos que estar atentos e mobilizados, pois temos um governo em crise, bancos que só visam lucros e uma burguesia que tem medo de nossa organização”.

O presidente do PSOL estadual, Joselício Júnior, o Juninho, lembrou o assassinato da vereadora carioca, Marielle Franco, como símbolo desses ataques. "Quem mandou matar Marielle o fez justamente por ela ser quem era e o que sua luta representava. E suas denúncias seguem, como o genocídio dos povos originários, a escravização que durou quatro séculos e a permanência daqueles do andar de cima seguindo no poder", concluiu.

A CUT tem história - Durante o Congresso foram homenageados os ex-presidentes da CUT São Paulo que atuaram na Central desde 1984. 

Veja o vídeo de Raphaelle da Hora para a CUT São Paulo: