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Dia Mundial Sem Carro traz reflexões sobre saúde e transporte coletivo

Tema traz ao centro do debate a questão de repensar o meio ambiente e formas alternativas de mobilidade

Publicado: 22 Setembro, 2021 - 15h38 | Última modificação: 22 Setembro, 2021 - 15h49

Escrito por: Vanessa Ramos - CUT São Paulo

Renato Araujo/Agência Brasília
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A redução de impactos ambientais ocasionados pelo consumo crescente de combustíveis fósseis e novas formas de mobilidade são assuntos recorrentes no Brasil.

Nesta quarta-feira (22), quando se celebra o Dia Mundial Sem Carro, a secretária de Meio Ambiente da CUT-SP, Solange Ribeiro, avalia ser necessária uma revisão do estilo de vida individualista e consumista da população.

“Precisamos rever nosso modelo de mobilidade baseado no transporte individual motorizado, dando maior apoio às modalidades de transportes coletivos, bem como garantir mais estrutura para estimular os transportes não motorizados, como as bicicletas. Um planeta morto não gera riquezas, não gera emprego e renda”, afirma a dirigente.

Divulgalçao/SMCS Divulgalçao/SMCS

Segundo relatório publicado em 2020 pelo Greenpeace Southeast Asia (GSA) e o Centre for Research on Energy and Clean Air, a poluição do ar aumenta a incidência de doenças crônicas e agudas.

“Isso contribui para milhões de visitas a hospitais e bilhões de faltas ao trabalho devido a doenças a cada ano. Também prejudica nossas economias e o meio ambiente”.

O documento aponta que a energia renovável e os sistemas de transporte de massa movidos a energia limpa são alternativas para a diminuição da poluição tóxica do ar. Alternativas que permitem, conforme o relatório, “limitar o aumento da temperatura global abaixo de 1,5 ° C em relação aos níveis pré-industriais”.

Transporte coletivo e saúde

O motorista e dirigente sindical Wagner Menezes, que atua desde 1987 no setor de transportes, com experiência nas cidades de São Paulo e de Guarulhos, defende igualmente que o transporte coletivo deve ser visto como prioridade.

“A geografia da cidade de São Paulo é muito complexa e o transporte público deve ser priorizado como política em todo estado, levando a população até os rincões mais distantes. Leis orgânicas da capital permitiram frotas mais diversificadas e sustentáveis. Atualmente, laudos técnicos precisam ser apresentados pelas empresas que hoje utilizam mais combustíveis biodegradáveis. Isso tudo representa uma conquista, mas ainda há muito que avançar”, destaca o dirigente, mais conhecido no movimento sindical pelo apelido de Marrom.

Para Menezes, também secretário de Relações do Trabalho da CUT-SP, são necessárias políticas públicas que priorizem a coletividade. Nas cidades, ele propõe aumento do número de corredores de ônibus para atender a população.

“Priorizar o transporte coletivo e ampliar a regularização dos automóveis privados são medidas urgentes. Inclusive pensando na saúde da população, já que inúmeras mortes são também resultado da terrível poluição gerada”.

A afirmação de Menezes é comprovada por estudo divulgado neste mês por pesquisadores da Universidade de Chicago, que avaliam o Índice de Qualidade de Vida do Ar (AQLI).

Segundo a pesquisa, a poluição é a maior ameaça mundial à saúde humana e 17 bilhões de anos de vida poderiam ser salvos se a poluição do ar fosse reduzida aos padrões orientados pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Sobre a data

O Dia Mundial Sem Carro tem relação com a industrialização e modernização nas grandes cidades. A data foi criada em 1997, na França. O Brasil aderiu ao seu calendário nacional desde 2003.

Nesta data, cidades de todo o mundo realizam debates e ações em defesa do meio ambiente, da qualidade de vida e de formas alternativas de mobilidade.