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Deputados defendem cassação do Arthur do Val por agressão verbal a servidores

Parlamentar chamou sindicalistas de "vagabundos" e incitou agressões, desencadeando uma confusão no plenário da Assembleia Legislativa

Publicado: 05 Dezembro, 2019 - 11h43 | Última modificação: 05 Dezembro, 2019 - 11h47

Escrito por: Rede Brasil Atual

REPRODUÇÃO/ALESP
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O deputado estadual Teonílio Barba, líder do PT na Assembleia Legislativa de São Paulo, vai entrar com pedido de cassação do deputado Arthur do Val (sem partido) – conhecido como Mamãe Falei – no Conselho de Ética.  Nesta quarta-feira (4) durante discussão da proposta de reforma da previdência estadual, Mamãe Falei subiu à tribuna para agredir servidores públicos e sindicalistas, chamando-os de “vagabundos”, ameaçá-los. Deputados, então, correram até a tribuna para contê-lo, quando começou um empurra-empurra. A sessão foi interrompida.

“Levanta a mão quem é machão. Levanta a mão do líder sindical aí. Quem é líder sindical aí? Levanta a mão. Tá com medo? Quero ver me encarar, ô líder sindical. Eu quero pegar você. Eu quero pegar você, que toma o dinheiro dos trabalhadores. Bando de vagabundo”, provocou Mamãe Falei.

“As coisas têm limite. Subi na tribuna porque queria convidá-lo a sair. Tanto é que não agredi. Aí o pessoal subiu para acalmar os ânimos”, afirmou o líder petista aos jornalistas Marilu Cabañas e Cosmo Silva, para o Jornal Brasil Atual, nesta quinta-feira (5).

“O deputado Arthur do Val provocou o tempo todo. Não discutiu um minuto. Está mentindo, dizendo que foi defender a deputada Janaina (Paschoal), que havia sido ofendida. Em nenhum momento ele fala da Janaina. Subiu apenas para provocar o público presente. Eram trabalhadores da saúde, da educação, do poder Judiciário, da segurança pública. Além de ser um mentiroso, o deputado agrediu o público que foi na Assembleia e tem o direito de assistir aos debates”. Barba disse que essa não foi a primeira vez que o deputado adotou comportamento inadequado. Cerca de seis meses atrás, também teria chamado os colegas parlamentares de “vagabundos”, na discussão de outro projeto.

Além das provocações do deputado, que também deve ser alvo de uma queixa-crime, Barba também responsabiliza o presidente da Casa, deputado Cauê Macris (PSDB), pelo ocorrido. Segundo o deputado, o presidente deveria ter cortado a palavra de Mamãe Falei para conter as agressões. “Ele foi permissivo. Foi muito tolerante com o deputado. Ele poderia ter cortado a palavra do deputado Arthur do Val, já que ele estava incitando e provocando. Poderia acontecer uma coisa pior.”

O projeto

Barba também acusa o presidente da Assembleia de conduzir a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 18/2019, que estabelece a reforma da Previdência estadual, de maneira autoritária. Ele nomeou um relator especial para o Projeto de Lei Complementar 80/2019, que detalha as mudanças na aposentadoria dos servidores. O artifício regimental serve para fazer o projeto tramitar com mais celeridade, impedindo a discussão da proposta nas comissões.

Segundo o líder do PT, são pelo menos 32 deputados que já se posicionaram contra o projeto. A expectativa é angariar o apoio de mais uma dezena de parlamentares, para inviabilizar a votação da reforma. Ele disse que a expectativa do presidente da Casa é colocar a PEC em votação na próxima terça-feira (10) “A ideia é buscar a adesão de mais deputados para que a gente possa abrir uma negociação e preservar os direitos dos trabalhadores da educação, da saúde, da segurança pública. Não estamos falando de garantir os altos salários. Não vamos defender salários de 50 mil, 60 mil reais. Esquece isso. Queremos defender o teto de cada categoria.”