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Demissão de trabalhador que aderiu à greve geral causa protestos em Campinas

Decisão da CPFL ataca o direito de livre manifestação e de greve; Trabalhadores realizam manifestação

Publicado: 19 Junho, 2019 - 11h30 | Última modificação: 19 Junho, 2019 - 12h46

Escrito por: Rafael Silva e Vanessa Ramos - CUT São Paulo

Carlos Fábio, dirigente da CUT-SP, durante ato em frente à CPFL nesta quarta (18)
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Roberto Claro/Sinergia-CUT

Nesta quarta (19), centrais sindicais, sindicatos e movimentos sociais realizaram uma manifestação em frente à CPFL Energia em Campinas exigindo a imediata reintegração do trabalhador Gervásio Gregório dos Santos, que aderiu à greve geral no dia 14 de junho contra a reforma da Previdência, por empregos e educação de qualidade. 

A CPFL Energia dispensou nessa terça-feira (18) o trabalhador de forma arbitrária. Antes da demissão, ainda, diretores da CPFL teriam se reunido com os funcionários de um dos turnos e avisado que “algo ocorreria para servir de alerta a todos, pois a imagem da empresa não poderia ser manchada.”. No mesmo dia, centrais sindicais e sindicatos enviaram uma carta à presidência da empresa protestando contra o episódio. 

Gervásio Gregório dos Santos estava como eletricitário e faltavam poucos meses para se aposentar.  Por ser profissão de alta periculosidade, o profissional tem direito à aposentadoria especial. Segundo relatos de colegas, Gervásio nunca teve problemas na empresa. 

Em entrevista à reportagem da CUT-SP, Gervásio, 50 anos, relata a situação. “Eles falaram que eu estava sendo demitido por baixa produtividade. Em 23 anos de empresa nenhuma advertência aconteceu sobre o meu desempenho e a minha produção. E minha demissão aconteceu logo depois de minha participação na greve, que foi aprovada por todos os trabalhadores em assembleia com o sindicato”,  explica o trabalhador, que em novembro completaria 24 anos de empresa.  O sindicato que representa a categoria é o Sinergia-CUT. 

De acordo com coordenador da subsede da CUT-SP em Campinas, Carlos Fábio, o Índio, a empresa foi informada com antecedência sobre a paralisação dos trabalhadores. Ele classifica a demissão como inadmissível e diz que a empresa faz uma afronta direita aos sindicatos. 

“A greve geral do dia 14 de junho foi um dia histórico no Brasil inteiro de luta por direitos, contra a reforma da Previdência e contra os cortes na educação. Essas eram as pautas do dia. E havia uma conscientização da classe trabalhadora e estudantil para ir às ruas e paralisar as atividades. E não foi diferente com os trabalhadores da CPFL. Por isso, a empresa afronta o direito do trabalhador de se manifestar”, afirma. 

Por todo o país, a greve geral convocada pelas centrais sindicais, sindicatos e movimentos sociais paralisou mais de 45 milhões de pessoas contra a reforma da Previdência. 

Em Campinas, Região Metropolitana de São Paulo, a greve mobilizou toda a cidade, com paralisação parcial do transporte público nas primeiras horas do dia e dois grandes atos no Largo do Rosário, no centro, pela manhã e à noite. 

Segundo o advogado na área sindical, Vinicius Cascone, a greve é um direito de todos os trabalhadores, garantida pela Constituição Federal. “Se comprovado o motivo, a atitude da empresa CPFL, além de ser arbitrária e ilegal, caracteriza-se como prática de persecutória, passível de reversão pela Justiça do Trabalho. Também é passível de representação no Ministério Público do Trabalho, para apuração de prática antissindical”, avalia. 

Nas instâncias jurídicas, são reiteradas as decisões em defesa do trabalhador pelo direito à greve, conforme diz a Súmula 316 do Supremo Tribunal Federal: “a simples adesão à greve não constitui falta grave”. 

Roberto Claro/Sinergia-CUTRoberto Claro/Sinergia-CUT
No microfone, Carlos Alves, presidente do Sinergia; ao seu lado, o trabalhador Gervásio dos Santos

 

Empresa responde, trabalhadores se posicionam 

A reportagem da CUT-SP fez contato com a assessoria de imprensa da CPFL. Em nota a CPFL diz que “o desligamento do colaborador Gervásio Gregório dos Santos, ontem (18), não está relacionado à participação em greve. A companhia conhece e respeita o direito de greve que assegura o trabalhador por meio da Constituição Federal”. 

Para Carlos Fábio, por cuidados relacionados à prática antissindical, as empresas geralmente não expressam os reais motivos da demissão. Situação que geralmente circula no chão da fábrica entre os trabalhadores. 

“A demissão de Gervásio parece servir de exemplo, sim, para que outros trabalhadores nunca mais realizem greve. Conhecemos bem os métodos de intimidação que são utilizados dentro de algumas empresas. As centrais sindicais, os sindicatos e os movimentos sociais seguirão protestando em Campinas até que Gervásio seja reintegrado ao cargo. É o mínimo de respeito e de justiça que se espera de uma empresa na qual o trabalhador dedicou quase 24 anos de sua vida”, conclui.