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CUT-SP marca presença no ato da Greve Global pelo Clima

Trabalhadores e as trabalhadoras precisam construir uma Transição Ecológica Justa, uma Transição Ecológica Justa para os mais pobres e vulneráveis

Publicado: 24 Setembro, 2021 - 18h51 | Última modificação: 24 Setembro, 2021 - 18h58

Escrito por: CUT São Paulo

CUT São Paulo
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Nesta sexta, 24 de setembro, a CUT-SP, por meio de sua Secretaria de Meio Ambiente, esteve presente no ato da Greve Global pelo Clima, que ocorre em frente ao MASP, às 17h.

Estão previstos atos em mais de 850 cidades pelo mundo – e em dezenas de cidades brasileiras – para cobrar das autoridades ações reais para o cumprimento dos propósitos da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, de alcançar a estabilização das concentrações de Gases de Efeito Estufa (GEE) na atmosfera em um nível que impeça mudanças climáticas e desequilíbrios ambientais extremos e irreversíveis: há um consenso científico de acordo com o qual um aquecimento médio global de 2ºC em relação ao período pré-industrial levará a um ponto sem volta nas mudanças climáticas.

Como exemplo de impactos das mudanças climáticas, há o derretimento de geleiras polares (já que os polos sofrem um maior impacto do aquecimento global), com aumento no nível do mar e alteração na temperatura dos oceanos, o que levará à inundação e ao desaparecimento de uma série de áreas litorâneas densamente povoadas. Os impactos sociais, econômicos e ambientais da migração forçada de milhões de pessoas são imensos. Outras consequências das mudanças climáticas se referem às mudanças graves nos regimes de chuvas. Isso pode levar intensificação das secas em locais que já sofrem com este problema – levando, até mesmo, à desertificação de muitas regiões e ao grande aumento de incêndios nas áreas de florestas – e forte aumento de chuvas e tempestades em outros locais, o que aumentará os problemas relacionados às inundações (como a disseminação de doenças como malária, esquistossomose e febre amarela). Some-se a isso um aumento na frequência de eventos extremos, como furacões, ondas de calor, ondas de frio, tempestades, chuvas e nevascas pesadas. Todas estas mudanças provocarão alterações de ecossistemas, extinção de espécies e perda de biodiversidade, gerando consequências ambientais fortemente negativas. Por outro lado, tais alterações levarão, também, à perda de áreas agricultáveis, diminuição na produção de alimentos, fome, disputas por territórios e por água potável, conflitos por conta dos “refugiados ambientais”, aumento de doenças e fortes riscos de colapso total dos sistemas econômicos, sociais e políticos.

Lembrando sempre que a corda sempre estoura no lado mais fraco: por tais motivos, os trabalhadores e as trabalhadoras precisam construir uma Transição Ecológica Justa, uma Transição Ecológica Justa para os mais pobres e vulneráveis, que são sempre os primeiros a sofrerem os efeitos maléficos das crises ambientais, sociais, políticas e econômicas. Esta Transição Ecológica Justa supõe trilhar caminhos de avanços do bem-estar social com sustentabilidade ambiental e ampliação da democracia participativa. É preciso buscar um novo modelo de desenvolvimento com diretrizes claras e objetivas quanto à preservação do meio ambiente e políticas públicas que busquem a equidade e justiça social, com distribuição de renda e riqueza, emprego decente e salário digno; com a ampliação e o fortalecimento das políticas sociais universais como saúde, educação, saneamento e proteção social especialmente para as populações mais carentes.

NÃO EXISTE EMPREGOS EM UM PLANETA MORTO!

Para mais informações sobre transição justa, acesse a cartilha “Transição Justa. Uma proposta sindical para abordar a crise climática e social.” - Clique aqui 

Vale ressaltar, também que as emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) também sofrem a influência do problema das desigualdades sociais, já que, de acordo com a Oxfam, entre 1990 e 2015, o 1% dos super-ricos foi responsável por emissões de CO2 que ultrapassam o dobro das emissões dos 50% mais pobres da população mundial.

Para revertermos a forte tendência de aumento de temperaturas e de mudanças climáticas extremas, precisamos substituir a utilização de combustíveis fósseis (como petróleo, carvão mineral e gás natural) por energias renováveis (como solar, eólica, geotérmica e maremotriz) o mais rápido possível. Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), as emissões de dióxido de carbono (CO₂) caíram durante a pandemia de Covid-19, mas após essa queda haverá novos aumentos já que o declínio aconteceu por conta da desaceleração econômica e não por uma mudança estrutural da matriz energética no mundo.

Já, no Brasil, a emissão de GEE não diminuiu com a pandemia: segundo o Observatório do Clima, em 2019 o Brasil emitiu 9,6% a mais de GEE do que em 2018, sendo que as emissões de GEE no Brasil em 2020 aumentaram em relação a 2019. Isso decorre do fato de a principal fonte de emissões, que são as mudanças de uso da terra, estar em franca expansão pelo crescimento do desmatamento na Amazônia, que avança a despeito da pandemia. De acordo com o Observatório do Clima, no Brasil, 44% das emissões de GEE são realizadas pelas mudanças de uso da terra (mudanças que têm forte relação com os desmatamentos na Amazônia, Cerrado, Pantanal e Mata Atlântica), 25% tem a ver com atividades Agropecuária (principalmente por criação de gado bovino), 21% vem do setor de energia, 5% de atividades industriais e 5% de atividades ligadas ao tratamento de resíduos sólidos (incineração, gazes emitidos por lixões e tratamento de esgoto).

Infelizmente, aumento de devastação da Amazônia cresce em índices alarmantes, sobretudo a partir de 2016, atingindo assombrosos 11.088 km² de área desmatada entre agosto de 2019 e julho de 2020. A derrubada de árvores segue a todo vapor: o acumulado de alertas de desmatamento na Amazônia entre agosto de 2020 e julho deste ano chegou a 8.712 quilômetros quadrados, a segunda maior área ameaçada (ou efetivamente devastada) desde 2016, conforme levantamento feito pelo sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Vale lembrar que o processo de devastação da Amazônia tem íntima relação com o recrudescimento das secas em outras regiões do Brasil: Na região metropolitana de São Paulo, o cenário que se desenha para o final de 2021 e início de 2022 é pior do que o vivido na crise hídrica aguda de 2014. O Sistema Cantareira, em 30 de agosto de 2021 estava com 37,3% de sua capacidade, sendo que para ser considerado normal, o volume teria que estar com cerca de 60% do total. Em 13 de agosto de 2013, período pré-crise hídrica aguda, o Cantareira estava em 51,1% de sua capacidade. Em junho de 2021, de acordo com dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), o volume total de água armazenado nos mananciais que abastecem a região metropolitana (como os Sistemas Cantareira, Alto Tietê e Guarapiranga) está 20% abaixo do que o registrado em 2013, ano anterior à última seca: preparem os baldes! 

Por tal motivo, lutar contra as mudanças climáticas é lutar pelo Fora Bolsonaro, grande estimulador do aumento dos desmatamentos e dos incêndios florestais no Brasil!