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CUT-SP marca presença na Conferência de Mulheres e reforça pautas das trabalhadoras

Sob o tema “Mais Democracia, Mais Igualdade, Mais Conquistas para Todas”, a conferência reuniu milhares de mulheres de todas as regiões do país

Publicado: 07 Outubro, 2025 - 11h53 | Última modificação: 07 Outubro, 2025 - 12h01

Escrito por: Rafael Silva - CUT São Paulo

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Entre os dias 29 de setembro e 1º de outubro, Brasília foi palco de um momento histórico para o movimento das mulheres brasileiras: a 5ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres (5ª CNPM), retomada após quase uma década de interrupção. A delegação do Coletivo da Mulher Trabalhadora da CUT-SP participou em peso do encontro, levando a força das trabalhadoras paulistas para o centro dos debates e reafirmando o protagonismo da Central na luta por igualdade, democracia e direitos.

Realizada sob o tema “Mais Democracia, Mais Igualdade, Mais Conquistas para Todas”, a conferência reuniu milhares de mulheres de todas as regiões do país para discutir políticas públicas que garantam a plena cidadania das mulheres e a efetivação da igualdade de gênero. O evento marcou a retomada de um espaço fundamental de construção coletiva, que havia sido descontinuado desde o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff. A realização da 5ª CNPM, no governo do presidente Lula, simboliza mais do que um reencontro: representa o início de uma nova etapa de resistência e esperança.

Durante três dias intensos de debates, as participantes discutiram temas como autonomia econômica das mulheres, valorização do trabalho de cuidado, igualdade de oportunidades no mercado de trabalho, enfrentamento à violência de gênero, fortalecimento da participação política das mulheres, laicidade do Estado e financiamento adequado para políticas públicas de gênero. As discussões convergiram para a construção de uma Plataforma das Mulheres, que reúne diretrizes e prioridades para orientar as políticas de igualdade em todo o país.

A secretária da Mulher Trabalhadora da CUT-SP, Márcia Viana, destacou a importância desse reencontro para a democracia brasileira. “A diversidade foi a marca dessa conferência: mulheres de todas as cores, territórios, gerações e saberes se reuniram para pensar políticas públicas que transformem a realidade”, afirmou. Segundo ela, as propostas aprovadas apontam para um futuro transformador e reafirmam o compromisso das mulheres com um projeto de país justo, soberano e livre de violência. “Não aceitamos retrocessos e seguimos avançando”, completou.

Além das plenárias da conferência, a delegação da CUT-SP também teve uma extensa agenda política em Brasília. As trabalhadoras participaram de uma audiência pública na Câmara dos Deputados que discutiu a urgência da ratificação da Convenção 190 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que garante o direito a um ambiente de trabalho livre de violência e assédio. A pauta, defendida historicamente pela CUT, foi levada com firmeza pelas representantes paulistas.

Na sequência, a convite da deputada federal Juliana Cardoso (PT-SP), Márcia Viana integrou uma comissão que se reuniu com a liderança do governo em exercício na Câmara, representada pelo deputado Alencar Santana (PT-SP), para discutir alternativas da tramitação para acelerar o processo para que o Brasil ratifique a Convenção 190 e avance na criação de políticas de proteção às mulheres trabalhadoras. No mesmo dia o parlamentar convidou uma representação da delegação CUTista de São Paulo para contribuir para contribuir com sugestões de aprimoramento ao Projeto de Lei 4913/25, que propõe a obrigatoriedade de emissão de atestado médico para acompanhantes ou responsáveis legais de crianças menores de 12 anos, pelo período indicado de repouso. Para a CUT-SP, esse diálogo demonstra a força das mulheres trabalhadoras na formulação de propostas concretas que impactam a vida das famílias brasileiras.

Nas ruas, a 5ª CNPM também ganhou corpo em uma grande marcha que tomou Brasília, reunindo milhares de mulheres em defesa da democracia e da soberania nacional. As manifestantes entoaram palavras de ordem como “Sem Anistia!” e defenderam bandeiras históricas do movimento sindical e popular, entre elas a justiça tributária com isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil, a redução da jornada de trabalho, o fim da escala 6x1, a igualdade salarial e o combate à violência contra mulheres e meninas. “Marchamos pelas ruas de Brasília exigindo ‘Sem Anistia!’, soberania nacional, justiça tributária, redução da jornada e o fim da escala 6x1, igualdade salarial e o fim da violência contra mulheres e meninas”, relatou Márcia.

As deliberações finais da conferência reafirmaram pautas centrais das mulheres trabalhadoras, como a redução da jornada sem redução de salário, o fim da escala 6x1, a valorização do trabalho de cuidado, a igualdade salarial, a autonomia econômica das mulheres, o enfrentamento à violência e o fortalecimento institucional das políticas públicas de gênero. Também foram aprovadas propostas de paridade no Congresso, legalização do aborto e reconhecimento dos direitos trabalhistas de quem cuida, medidas que expressam o compromisso com uma sociedade mais justa e igualitária.

Mulheres com o líder do governo em exercício na Câmara, representada pelo deputado Alencar Santana (PT-SP)

Para Márcia Viana, a 5ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres encerrou-se como um marco de resistência, diversidade e ousadia. “Mais do que recomendações, ela expressa o projeto de país que queremos: sem violência, sem opressão, com igualdade e justiça social”, afirmou. “Nós, mulheres trabalhadoras da CUT, seguimos em marcha, porque queremos igualdade de direitos e queremos viver plenamente.” 

A CUT-SP reafirma seu compromisso com a luta das mulheres e seguirá mobilizada para garantir que as propostas aprovadas na conferência se transformem em políticas públicas concretas, que fortaleçam a democracia e avancem na construção de um Brasil com mais igualdade, soberania e justiça social.

Encontro com a ministra Gleisi Hoffmann