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CUT-SP lamenta a morte do humorista e apresentador Jô Soares

Em 2015, em meio ao processo de golpe contra a então presidenta Dilma Rousseff (PT), Jô a entrevistou mesmo indo contra a postura editorial de sua própria emissora

Publicado: 05 Agosto, 2022 - 13h07 | Última modificação: 05 Agosto, 2022 - 13h09

Escrito por: CUT São Paulo

Reprodução
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A Central Única dos Trabalhadores de São Paulo (CUT-SP) lamenta a morte de um dos grandes nomes da cultura brasileira: o humorista, apresentador, ator, dramaturgo, jornalista e diretor José Eugênio Soares, o Jô Soares, aos 84 anos, na madrugada desta sexta-feira, 5 de agosto.

Natural do Rio de Janeiro, Jô iniciou no mundo das artes nos anos 1950, no filme Rei do Movimento (1954). Na TV, fez a estreia em 1958 no programa “Noite de Gala”, da extinta TV Rio, passando também pelas TVs Continental e TV Tupi.

Em 1960, na Record, foi roteirista e ator na “Família Trapo”, programa de humor que se tornou referência. Foi para a Globo nos anos 1970, onde participou de muitas atrações da emissora e ganhou o seu primeiro humorístico, o “Viva o Gordo”, interpretando personagens que seguem na memória de muitas pessoas, como o Reizinho e o Capitão Gay.

Mas foi no SBT, em 1987, que Jô deu início a uma de suas principais vocações, que era a de entrevistador. No programa “Jô Soares Onze e Meia” passaram inúmeras personalidades e anônimos do Brasil e do mundo. Em 2000, o talk show foi para a Globo e tornou –se “Programa do Jô”, permanecendo no ar por 16 anos.

Também foi colunista nos jornais O Globo e Folha de S.Paulo, e nas revistas Manchete e Veja. Escreveu livros, como “O Xangô de Baker Street” (1995), um dos mais vendidos do país, e escreveu peças teatrais, que igualmente foram sucesso de público.

Em uma das raras entrevistas que deu, em 1995, disse ser anarquista. No entanto, nunca se calou, da forma mais elegante possível, de criticar governos e ameaças autoritárias. Subiu nos palcos pelas Diretas Já! e escreveu cartas abertas ao presidente Jair Bolsonaro (PL) lembrando o quanto o nazismo e discursos de ódio fizeram mal ao mundo. Em 2015, em meio ao processo de golpe contra a então presidenta Dilma Rousseff (PT), Jô a entrevistou mesmo indo contra a postura editorial de sua própria emissora.

Neste momento de luto, a Direção da CUT-SP externa aos familiares e amigos o mais profundo pesar e solidariedade.

Direção da CUT São Paulo

5 de agosto de 2022