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CUT-SP fortalece aproximação com trabalhadores da capoeira

Central e Federação Paulista de Capoeira realizaram seminário para falar dos desafios da categoria

Publicado: 13 Maio, 2021 - 16h53 | Última modificação: 13 Maio, 2021 - 18h14

Escrito por: Redação CUT-SP

Reprodução
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Na última quarta-feira (12), a CUT-SP realizou o Seminário "O legado da capoeira e as lutas dos trabalhadores e trabalhadoras". O evento teve participação do secretário de Cultura da CUT-SP, Carlos Fábio, o Índio, a secretária de Combate ao Racismo da CUT-SP, Rosana Silva, além dos Mestres Waldenor, Borboleta, Anande e da professora Adrianinha.

Na fala de abertura da atividade, o presidente da CUT-SP, Douglas Izzo, reforçou a dificuldade de se inserir a capoeira nas escolas nos dias de hoje por conta da intolerância religiosa presente contra as religiões de matriz africana.

Rosana Silva, secretária de Combate ao Racismo, ressaltou a importância da capoeira para o enfrentamento do preconceito. “Para nós, negras e negros, é uma grande vitória trazer o debate sobre a nossa arte e a ancestralidade para dentro da CUT é uma marco de revolução e transformação para visibilizar a capoeira. As mulheres e os homens têm uma luta difícil e é uma arte que foi muito perseguida”.

Já o secretário de Cultura da CUT-SP, Carlos Fábio, o Índio, adiantou ao público uma discussão interna que a Central tem realizado para permitir a filiação de entidades representativas da classe trabalhadora ainda não organizadas como sindicatos. “Uma luta nossa aqui na CUT-SP é podermos associar as associações, organizações e federações que não estejam dentro do formato de nossa estrutura, o que possibilitará trazer importantes categorias para lutar ao nosso lado”, disse o dirigente. A expectativa é que na Plenária da CUT-SP, prevista para agosto, essa discussão seja aprofundada.

O Mestre Waldenor, da Federação Paulista de Capoeira, lembrou que o esporte foi reconhecido como patrimônio cultural imaterial do povo brasileiro em 2008 e da humanidade em 2014. "A capoeira nasce como resistência ao regime escravocrata que estava em vigor no século XIX. E foi bastante perseguida pelos governos ao ponto de sua prática ter sido proibida no país inteiro entre 1889 até 1937", afirmou.

O também mestre, Borboleta falou de sua vivência na década de 1970, quando a capoeira foi novamente resistência contra a opressão, dessa vez contra a ditadura militar brasileira. "A década de 1970 foi marcada pela efervescência da classe trabalhadora e a capoeira estava presente, honrando a memória de Zumbi dos Palmares. A capoeira é raiz e fruto dessa resistência", disse.

Secretária de Formação da CUT-SP, Telma Victor lembrou do Projeto de Lei 10639, que foi aprovado no primeiro mês do governo Lula, em 2003, que fala sobre a inclusão no currículo oficial da Rede de Ensino da temática "História e Cultura Afro-brasileira" e que sofre com oposição do setor conservador no país até hoje. "Essa troca com vocês hoje é essencial para a construção da nossa identidade sindical". 

Na segunda parte do encontro, os debatedores falaram sobre a multidisciplinaridade da capoeira. O Mestre Anande das Areias contou sobre sua experiência pessoal com a capoeira e reforçou que ela é resultado do contexto histórico e do sociocultural ao mesmo tempo. "Eu aprendi que a capoeira não é só pra aprender a brigar, ela é mais. Ela tocou o meu potencial criativo. Além de um atleta, eu sou um cantor, artista e poeta".

 Secretário de Política e Organização Sindical, Hélcio Marcelino celebrou a possibilidade dessa parceria da CUT-SP com a Federação, classificando o seminário como uma primeira ação muito positiva. “O trabalhador da capoeira tem como identidade ser o portador de toda história dessa arte, mas ele também é professor de educação física. Ele não só faz o instrumento, mas também é produtor cultural da música, do ritmo, da dança. Vimos nesse seminário, toda a complexidade da categoria, o que foi extremamente necessário”, disse.

Assista à íntegra do Seminário: