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‘CUT nos Bairros’ leva música, reflexão e entretenimento a Poá (SP)

Projeto sindical promove diálogo com as comunidades nas periferias

Publicado: 28 Julho, 2022 - 17h05 | Última modificação: 28 Julho, 2022 - 18h25

Escrito por: Vanessa Ramos e Rafael Silva

Dino Santos/ CUT-SP
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O Campo da Portuguesinha, localizado na Rua Manoel Ambrósio da Silva, no bairro Jardim Nova Poá, na cidade de Poá (SP), recebeu no dia 23 de julho o projeto ‘CUT nos Bairros’.

A ação tem como proposta percorrer regiões de SP com recreação, apresentações artísticas, serviços e toda uma programação cultural voltada à classe trabalhadora.

A atividade começou às 12h e seguiu até perto das 21h. Teve rap, samba e forró nas vozes de Toninho Geraes, Douglas Sampa, Wal Serra, Thelma de Paula, Cidão Vilella, Negão da Pisadinha, Preto WO, Papum SP É Nóis, LYP, além de diferentes ritmos comandados por DJ Andinho.

Do lado esquerdo do palco, as crianças de Poá se divertiram nos brinquedos infláveis, no pula pula e nas atividades de pintura facial.

Dino Santos/CUT-SPDino Santos/CUT-SP

Liderança da região, Benedito Carlos dos Santos, mais conhecido como professor Carlos, foi quem apresentou os artistas, interagindo com a população de Poá.

“A gente precisa de projetos como esse nas comunidades. Que a CUT continue fazendo essa ação por muitos bairros”, disse o cantor e compositor de samba, Douglas Sampa.

Dino Santos/CUT-SPDino Santos/CUT-SP
Cantor e compositor de samba, Douglas Sampa interage com a população de Poá

O rapper Preto WO também falou à reportagem da CUT São Paulo sobre a atuação sindical nas periferias.

“É uma atividade importante porque está levando os artistas regionais na quebrada, movimentando e fomentando a cultura. Vemos uma preocupação da CUT e dos sindicatos em fortalecer a cultura onde o Estado não está presente. Temos que olhar pra isso”, afirmou.

A cantora Thelma de Paula, que atua em projetos sociais na região, chamou a atenção ao entoar músicas engajadas em relação às mulheres na sociedade.

A artista desceu do palco, caminhou até perto do público, para cantar uma versão feminista de "Mulheres", do compositor Toninho Geraes, eternizada na voz de Martinho da Vila.

“Nós somos mulheres de todas as cores, de várias idades, de muitos amores. Lembro de Dandara, mulher foda que eu sei. De Elza Soares, mulher fora da lei. Lembro de Marielle, valente, guerreira”, diz parte da letra escrita por Doralyce Gonzaga e Silvia Duffrayer.

Dino Santos/CUT-SPDino Santos/CUT-SP
Cantora Thelma de Paula interage com moradoras de Poá e região

Diálogo com a comunidade

Para a presidenta da CUT São Paulo, Telma Victor, o projeto 'CUT nos Bairros' permite que as famílias dos trabalhadores e das trabalhadoras possam ter direito à cidade, com atividades de arte e cultura nas localidades.  

"É uma forma de dialogar sobre a situação do estado de São Paulo e do Brasil, ainda mais em um cenário de desemprego, de fome e de miséria. É uma oportunidade de refletir sobre o papel do poder público em diferentes áreas de atuação”, apontou.

Dino Santos/CUT-SPDino Santos/CUT-SP
Telma Victor e Wagner Menezes, dirigentes da CUT-SP, falam com a população de Poá

Aposentado e morador de Poá, Antônio Pereira de Quadros mora na cidade há 32 anos. Ele lamenta a ausência do poder público em políticas de lazer aos moradores.

“A ação da CUT ajuda a promover um debate em torno dessa questão e também sobre muitos outros desafios vividos por quem mora aqui", ressaltou.

Professora da rede estadual, dirigente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) e moradora do Jardim Nova Poá, Lourdes Rafael Izzo avalia que o projeto ‘CUT nos Bairros’ é uma oportunidade de dialogar com moradoras e moradores tanto sobre a situação da cidade, como do estado de São Paulo.

“Nova Poá, assim como outros bairros da maioria das cidades, é carente de políticas públicas de promoção do esporte e da cultura voltadas, em especial, à nossa juventude e aos idosos”, falou.

Morar em Poá

Com uma população estimada de 119.221 moradores e moradoras, Poá é uma das cidades que compõem a região do Alto Tietê, ao lado de Arujá, Biritiba Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Guarulhos, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Salesópolis, Santa Isabel e Suzano.

Poá está entre as cidades que sofrem com a desigualdade no estado de São Paulo, com índices ruins em áreas como emprego, segurança, saúde e lazer.

O município é o que possui as mortes mais violentas da região, com a taxa de 23,5 para cada 100 mil habitantes, segundo o Atlas da Violência 2018, que considerou para o estudo as ocorrências de agressões, intervenções legais e mortes violentas com causa indeterminada. Um município considerado “pacífico” tem uma taxa de 10.

Quando o assunto é trabalho e renda, a população precisa sair da cidade, pois há pouco desenvolvimento econômico para a geração de empregos local. De acordo com os últimos dados do IBGE, de 2020, o salário médio mensal dos trabalhadores da região estava em dois salários mínimos, o equivalente a R$ 2.568. 

No município, os setores que mais contratam são os de serviços, indústria e comércio. Ainda assim, Poá fica em quarto lugar no ranking das cidades da região com oportunidades de trabalho, atrás de Mogi das Cruzes, Suzano e Itaquaquecetuba.

E a falta de infraestrutura e o acesso a políticas públicas de promoção dos direitos refletem no tempo de vida da população, que possui uma expectativa de vida de 71 anos.

Apesar de possuir diversos espaços de cultura e turismo, a cidade perdeu o título de 'estância hidromineral' em maio deste ano por conta de irregularidades na prestação de contas ao Governo do Estado, que deixará de repassar uma verba de quase R$ 10 milhões ao ano e que era destinada ao desenvolvimento do turismo local.