Escrito por: Laiza Lopes - CUT-SP com informações da CUT Brasil
Roberto Parizotti / CUT Brasil
Por “menos juros, mais empregos”, a CUT e as demais centrais sindicais se reuniram em frente ao Banco Central, na Avenida Paulista, na manhã desta terça-feira (30), para pressionar que a taxa Selic seja efetivamente reduzida. Sindicatos de diversas categorias como bancários, metalúrgicos, educação, transporte, vestuário, também fizeram parte do ato. Há manifestações em diversos locais do Brasil.
Entre os dias 30 e 31 de julho, o Copom (Comitê de Política Monetária) definirá qual será a nova taxa, que hoje está em 10,5%. Na última reunião da entidade, o grupo optou por manter a porcentagem, o que é prejudicial para o crescimento do país, apontam os movimentos.
É fundamental a organização das centrais sindicais para pressionar a redução da taxa de juros. O Banco Central não pode ser sequestrado pelo setor financeiro. Juros altos significam menos empregos, menos investimentos e maior endividamento das famílias brasileiras", afirma Raimundo Suzart, presidente da CUT-SP.
Dino Santos - CUT-SPRaimundo Suzart, presidente da CUT-SP
A manifestação pede a saída do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, cuja atuação frente à instituição, de acordo com o movimento sindical, é de boicote ao governo federal e dos interesses da classe trabalhadora, uma vez que os juros altos impedem o crescimento pleno do Brasil. “Elimina investimento produtivo, promove a maior transferência de riqueza dos mais pobres para os mais ricos”, explica o presidente nacional da CUT, Sérgio Nobre.
O mercado tem defendido a alta da Selic com o argumento de “controle da inflação”, entretanto, estudos apontam que a taxa elevada prejudica, especialmente os mais pobres, que pagam mais em financiamentos, cartão de crédito e demais operações financeiras.
O próprio Campos Neto, em entrevista recente ao canal de TV CNN, reconhece o pleno emprego alcançado no governo Lula, porém, critica o aumento de salário. “Se você sobe o salário para o mesmo nível de produção, isso significa que você está iniciando um processo inflacionário”, declarou Neto, em um claro movimento contra a classe trabalhadora.
Roberto Parizotti - CUT
Histórico
As centrais sindicais têm feito o enfrentamento contra a taxa alta nas ruas e nas redes. Em 18 de junho houve uma manifestação também em frente ao Banco Central, na Avenida Paulista. Desde agosto do ano passado, a Selic estava sendo reduzida a meio percentual. Em maio, a queda foi de apenas 0,25%, e em junho, não houve redução e a taxa foi mantida a 10,50%. Em 2022, a taxa alcançou o patamar de 14,75%.