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CUT defende projeto Meninos e Meninas de Rua e apuração de atentado contra ativista

Preocupação dos dirigentes é com o que pode acontecer com as crianças e jovens se o projeto for despejado pelo prefeito de São Bernardo do Campo

Publicado: 27 Outubro, 2021 - 13h06 | Última modificação: 28 Outubro, 2021 - 02h45

Escrito por: Vanessa Ramos -CUT São Paulo

Divulgação/PMMR
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A CUT, artistas, políticos e lideranças de movimentos sociais lutam contra a ameaça do prefeito Orlando Morando (PSDB), que quer desalojar o projeto Meninos e Meninas de Rua (PMMR), que atua na cidade de São Bernardo do Campo desde 1983.

A Central exige, ainda, apuração de possível atentado sofrido contra integrante da ONG. Ativista negro, o militante foi baleado na nuca enquanto retornava para sua residência no dia 24 de outubro. Levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Jardim Silvina e transferido para o Hospital das Clínicas, no bairro de Alvarenga, ele realizou uma cirurgia, sobrevivendo ao atentado.

O nome do militante não será divulgado para preservar a segurança da vítima. Não se sabe o que motivou a situação que poderia ter levado o trabalhador a óbito. O ativista atuava como cozinheiro na ONG, ajudando em diferentes ações para o fortalecimento do projeto.

“Exigimos que seja aberto inquérito que investigue se houve tentativa de homicídio contra o ativista que até então estava hospedado no projeto desde o dia 14 de outubro”, afirma o secretário de Comunicação da CUT-SP, Belmiro Moreira.

“Cobramos também que o prefeito, que se recusou a dialogar com a coordenação do projeto, cancele a proposta de desocupação do imóvel”, acrescenta o secretário, que tem acompanhado presencialmente as ações da ONG.

Para o presidente da CUT-SP, Douglas Izzo, é estarrecedor ver como a prefeitura tem atuado durante a pandemia. “Estamos diante de um projeto de reconhecimento nacional e internacional”, destaca.  

“É um projeto que muito contribuiu para o desenvolvimento do ABC, região conhecida no Brasil e no mundo por combinar desenvolvimento econômico, justiça social e distribuição de renda”, reforça o presidente da CUT Nacional, Sérgio Nobre, que também esteve no local apoiando a luta pela permanência do projeto no centro de São Bernardo do Campo.

“Queremos dialogar com a população e com o prefeito para que o projeto seja mantido, já que representa um patrimônio para a região”, conclui Sérgio Nobre.

38 anos de história

A ONG hoje atende em torno de 700 pessoas mensalmente, com oficinas de cultura, esporte e lazer. Durante a pandemia, estão sendo distribuídas cestas básicas e kits entregues às famílias mais impactadas pelos reflexos econômicos da pandemia.

O PMMR é também responsável pelo famoso bloco carnavalesco ‘Eureca’, que sai às ruas desde 1992 sensibilizando sobre os direitos das crianças e dos adolescentes.

Solidariedade

Desde 2020, a ONG vem recebendo notificações de despejo da prefeitura. A última ocorreu no dia 22 de outubro, em plena pandemia.

Um abaixo-assinado na internet conta até esta quarta-feira (27) com 83.028 adesões em apoio à permanência da ONG na Rua Jurubatuba, região central de São Bernardo do Campo.

Além das ações solidárias ocorridas presencialmente na sede do projeto, uma grande mobilização envolvendo artistas, políticos e ativistas tem tomado as redes sociais com a hashtag #OProjetoFica.

Edição: Marize Muniz