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Cultura Red Pill: Bolsonaristas atacam vereadora Guida Calixto e sua equipe

Publicado: 19 Março, 2026 - 17h48 | Última modificação: 19 Março, 2026 - 18h02

Escrito por: CUT São Paulo

Reprodução
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A vereadora Guida Calixto (PT) denunciou ter sido alvo de assédio e ataques misóginos promovidos por militantes bolsonaristas durante uma sessão na Câmara Municipal de Campinas na última quarta-feira, dia 18.

O episódio ocorreu enquanto a parlamentar defendia um projeto de lei voltado ao combate à violência contra as mulheres e provocou forte reação de movimentos sociais e organizações da cidade. De acordo com informações do site Carta Campinas, apoiadores da extrema direita presentes na galeria passaram a hostilizar a parlamentar e integrantes de sua equipe, com intimidações e manifestações agressivas direcionadas principalmente às mulheres do mandato.

O caso foi denunciado como um episódio de violência política de gênero e Guida encaminhou à Presidência da Câmara um pedido de informações sobre os responsáveis pelo assédio, incluindo a possível ligação do grupo com gabinetes do Legislativo. Além disso, foi registrado boletim de ocorrência na 2ª Delegacia de Polícia de Defesa da Mulher de Campinas.

De acordo com a vereadora, as agressões começaram após a apresentação de um projeto de lei que busca responsabilizar agressores e fortalecer políticas de enfrentamento ao feminicídio. O debate gerou reação de grupos bolsonaristas presentes na sessão, que passaram a atacar verbalmente a parlamentar e suas assessoras, numa evidente tentativa de intimidação diante da atuação do mandato em defesa dos direitos das mulheres.

A repercussão do caso levou organizações da cidade a se manifestarem publicamente. O Coletivo de Mulheres da subsede da CUT-SP em Campinas divulgou uma nota de repúdio e solidariedade à vereadora, classificando o episódio como grave e preocupante.

“Repudiamos veementemente as atitudes violentas, misóginas e intimidatórias praticadas por militantes da extrema direita contra assessoras parlamentares no exercício de suas funções públicas”, afirma o documento.

Para o coletivo, os ataques revelam uma estratégia política de intimidação contra mulheres que ocupam espaços institucionais. “Trata-se de um episódio grave, que evidencia a utilização da violência política de gênero como instrumento de intimidação e silenciamento de mulheres que atuam na vida pública”, destaca a nota.

O coletivo ainda defende que episódios como esse não podem ser tratados como fatos isolados, mas como parte de uma escalada de intolerância política e de violência contra mulheres na vida pública. “As agressões não são fatos isolados, mas expressão de um projeto político que se sustenta na intolerância, no autoritarismo e na tentativa de excluir mulheres dos espaços de poder e decisão”, afirma o texto.

Ao final, a nota pede investigação e responsabilização dos envolvidos. “Reafirmamos que violência não é opinião — é crime — e deve ser tratada com o rigor da lei. Exigimos a imediata apuração dos fatos e a responsabilização dos envolvidos.”

O caso se soma às inúmeras situações de violência de gênero que têm ocorrido no país e ocorrem diante do aumento do movimento de direita chamado red pill, que reúne grupos e influenciadores da internet que difundem uma visão abertamente misógina da sociedade, baseada na ideia de que mulheres seriam inimigas ou manipuladoras dos homens e responsáveis por supostas injustiças contra eles. Esse tipo de discurso incentiva o ódio, a desumanização e a hostilidade contra mulheres, especialmente aquelas que ocupam espaços públicos ou defendem direitos de igualdade.