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Cristina Kirchner prevê ser condenada em processo semelhante ao da Lava Jato

Senadora afirmou à ‘Folha de S. Paulo’ que é vítima de um “pelotão de fuzilamento” e rebate as acusações, que classifica como “falsidade absoluta”

Publicado: 06 Dezembro, 2022 - 11h17 | Última modificação: 06 Dezembro, 2022 - 11h19

Escrito por: Rede Brasil Atual

Reprodução/Twitter
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Em entrevista à jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, a senadora Cristina Kirchner, vice-presidente da Argentina, afirma ser vítima de um “pelotão de fuzilamento” e rebate as acusações feitas contra ela classificando-as como “falsidade absoluta”. A Justiça do país vizinho vai dar o veredicto sobre o processo em que a líder é acusada de associação ilícita com um empresário que teria se beneficiado de obras públicas em Santa Cruz, no sul da Argentina, na gestão de Néstor Kirchner como presidente. Marido de Cristina, ele morreu em 2010.

Segundo Cristina, a decisão já foi tomada e é política. “A sentença foi escrita em 2 de dezembro de 2019, na primeira vez em que testemunhei neste julgamento. Por razões muito simples. Primeiro: todas as minhas garantias constitucionais foram violadas. Segundo: tudo o que foi dito é mentira. Terceiro: o juiz (Julián Ercolini) que investigou este caso (na primeira instância) é o mesmo que há sete ou oito anos, diante das mesmas denúncias feitas pela oposição, disse que não era competente e enviou o processo para (a Justiça do) sul do país”, afirmou Cristina.

Cristina Kirchner não concedia entrevistas há cinco anos. É a primeira vez que a líder dá entrevista a uma publicação brasileira. A Procuradoria pede condenação de 12 anos de prisão de Cristina.

Ela aponta uma coincidência relacionada ao dia em que deve ser anunciada a decisão. “Presta atenção em uma coisa: no dia 6 de dezembro, vão ditar a sentença contra mim. No dia 7, vai sair nos jornais: ‘Cristina condenada’. Sabe o que é o 7 de dezembro? É um dia muito emblemático na República Argentina”, disse. Nesse dia a chamada Lei de Meios passaria a vigorar, contra os interesses da grande mídia argentina.

A Lei de Meios entrou em vigor em 7 de dezembro de 2012. Desde então a legislação foi sistematicamente obstruída por decisões cautelares na Justiça. “Até que Mauricio Macri ganhou em 2015, e simplesmente desarticulou os organismos encarregados da implementação da lei. E aí começou a fase da perseguição aberta e ao kirchnerismo através da aliança entre mídia, Judiciário e o macrismo”, explica a cientista política Mariana Gainza, da faculdade de Ciências Sociais da Universidade de Buenos Aires, pesquisadora do Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas (Conicet).

Segundo a lei, empresários que tinham muitos canais de televisão, abertos, a cabo e jornais deveriam desinvestir para não dominarem o mercado. De acordo com Cristina, a data da condenação “será uma espécie de presente a Magnetto”, acrescentou a senadora, em referência a Héctor Magnetto, CEO do Grupo Clarín, a maior empresa de mídia do país.

Semelhança com Lava Jato

Para Cristina Kirchner, o processo que a acusa em seu país é “a mesma coisa” que alcançou o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, preso no Brasil pela Operação Lava Jato. “A diferença é que as mesmas pessoas que o meteram preso depois foram buscá-lo e reverteram o que tinham feito. E por quê? Porque chegou Bolsonaro, um personagem que fez muito mal ao país e a muitos atores da vida brasileira”, afirmou.

Notícia publicada no site da Rede Brasil Atual