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Covid-19: Em Bauru, CUT-SP cobra MPT sobre condições de trabalho no telemarketing

Durante a fase emergencial, em vigor em toda São Paulo, os escritórios de call centers devem funcionar em regime de home office, mas não é o que ocorre na cidade do interior paulista

Publicado: 09 Abril, 2021 - 16h30 | Última modificação: 09 Abril, 2021 - 16h34

Escrito por: Rafael Silva - CUT São Paulo

José Cruz/Agência Brasil/Arquivo
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Para tentar frear o avanço da covid-19 e reduzir a fila de espera nas UTIs dos hospitais em Bauru, no interior paulista, a CUT-SP tem cobrado o Ministério Público do Trabalho (MPT) para fiscalizar as empresas de telemarketing na cidade, que seguem em pleno funcionamento mesmo na fase emergencial decretada pelo governo do estado.

A denúncia ao MPT foi realizada pelo coordenador da subsede da entidade em Bauru, Itamar Calado. De acordo com o dirigente, a situação da saúde na cidade está caótica e o fato de muitas empresas desrespeitarem os protocolos, faz com que o município esteja entre os mais perigosos neste momento. Segundo a Prefeitura, a cidade contabiliza 34.077 casos confirmados da doença, sendo 636 óbitos até quinta-feira, 8.

“Entramos com essa queixa-crime no Ministério Público do Trabalho para que tomem providências no sentido de entrar com ação civil pública e paralisar essas atividades presenciais. Estamos em situação fora de controle na região, que tem uma média de 5 mil trabalhadores no telemarketing, com pessoas de todas as faixas etárias, que estão se expondo diariamente”, afirma o dirigente CUTista.

Reportagem realizada pelo Jornal Dois, em 5 de abril, ouviu trabalhadores de três empresas de call centers de Bauru, que relataram poucas mudanças nos locais de trabalho para que a segurança dos funcionários fosse garantida durante a pandemia. Todos eles relataram apreensão ao seguirem normalmente com as atividades, mas, por dependerem do emprego, têm medo de cobrar seus patrões por ações rigorosas de prevenção à doença. Entre as denúncias do jornal, um dos trabalhadores afirma que o distanciamento e o uso de máscaras entre as equipes só são praticados quando há fiscalização no prédio.

Como resultado, muitos trabalhadores estão afastados com suspeita da doença e até casos de mortes foram confirmadas entre eles.

Durante a fase emergencial, em vigor em toda São Paulo, os escritórios de call centers devem funcionar em regime de home office, com exceção aos trabalhos que não permitem tal modalidade.

Fã de Jair Bolsonaro (ex-PSL), a prefeita de Bauru, Suéllen Rosim (Patriota), adota discurso semelhante ao do presidente. Em diversas entrevistas, tem dito que medidas de restrições não funcionam e, inclusive, sua família resolveu abrir as portas da igreja que comandam na região para a realização de cultos. A reabertura ocorreu após o ministro do STF, Kássio Nunes Marques, decidir pela liberação das atividades religiosas presenciais.

“Temos uma prefeita que passa mais tempo no Palácio do Planalto, em encontros com Bolsonaro, do que no gabinete em Bauru”, critica Calado, que é do ramo papeleiro/químico.

Mas a prefeita não está sozinha no discurso e prática negacionista do vírus. Em fevereiro, 14 dos 17 vereadores da cidade aprovaram uma lei que considera bares, restaurantes, salões de beleza, barbearias e até clubes como serviços essenciais, permitindo a abertura desses estabelecimentos mesmo nas fases mais críticas da pandemia.

A cidade, no entanto, está com a taxa de ocupação de leitos de UTI em 117% e registra média de 26,4 mortes por habitantes. Para efeitos de comparação, Araraquara, cidade governada por Edinho Silva (PT) e que adotou o lockdown em fevereiro, a média móvel atualmente está em 11,9 mortes por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias, de acordo com levantamento da BBC Brasil.

Nas redes sociais, Estela Almagro, vereadora do PT na cidade, disse ser fundamental a decisão da CUT de fazer a denúncia junto ao MP. “Tratam-se de trabalhadores submetidos ao transporte público lotado e a locais de trabalho em que a distância entre um e outro trabalhador muitas vezes foge a condições adequadas de biossegurança. A incidência da maior parte das mortes, tem ocorrido entre aqueles que estão trabalhando e não estão sendo preservados em sua condição de trabalhador”, afirmou.

Estela está organizando, para a próxima quarta-feira (14), às 14h, uma audiência pública na Câmara Municipal para discutir a questão. A CUT-SP estará presente.