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Cortes e mais cortes de energia elétrica e exposição de trabalhadores ao risco

As empresas do setor elétrico mantêm esta postura, enquanto as distribuidoras de gás fizeram acordo para suspender as ações de interrupção de fornecimento de gás

Publicado: 26 Março, 2020 - 12h42 | Última modificação: 26 Março, 2020 - 12h52

Escrito por: Sinergia CUT

reprodução
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Na contramão de todas as ações realizadas no país para o enfrentamento da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), as empresas do setor energético atuam “de forma desumana,  gananciosa e com foco meramente no financeiro”, na avaliação dos dirigentes sindiciais. As empresas têm ampliado nos últimos dias os cortes de energia elétrica de clientes inadimplentes, prejudicando ainda mais pessoas que já estão passando dificuldades com essa situação de calamidade pública que assola o país.

Além disso, as empresas continuam, por exemplo, a realizar a manutenção programada na rede e o atendimento do Call Center com grande concentração de trabalhadores no mesmo local de trabalho sem necessidade neste momento crítico. Tudo isso precisa ser revisto urgentemente. Trata-se da preservação da vida do ser humano.

As empresas do setor elétrico mantêm esta postura, enquanto as distribuidoras de gás fizeram acordo para suspender, a partir de segunda-feira (23) até 31 de maio, as ações de interrupção de fornecimento de gás de consumidores residenciais e pequenos comércios. A medida é voltada para os imóveis que consomem até 500 m³/mês, conforme a média de consumo do primeiro bimestre deste ano. A medida também será válida para hospitais e unidades de saúde.

A ordem da direção das empresas é cortar sem dó? Talvez antevendo algum eventual decreto do poder público que possa suspender temporariamente os cortes de energia elétrica, a determinação é aumentar o número de cortes diários, inclusive com deslocamento até de equipes de linha viva para executar o corte de energia.

Lucro x condições precárias

As empresas alegam que atuam em serviço público e essencial, mas o CORTE DE ENERGIA ELÉTRICA é serviço essencial? Ainda mais nesse momento de calamidade pública no país? Elas tiveram LUCROS BILIONÁRIOS no ano passado. Dinheiro que vai todo para os acionistas de outros países. Como pode as empresas que lucraram tanto às custas do suor de seus trabalhadores, com um produto tão caro para os seus consumidores (energia elétrica), serem tão desumanas? Qual o exemplo disso para os seus trabalhadores e para a sociedade? Com a palavra a direção das empresas. Enquanto isso, seus trabalhadores estão expostos! Quem se preocupa com isso?

Se não bastasse essa onda de cortes de energia elétrica, as empresas expõem ainda mais os trabalhadores operacionais com risco de contaminação pelo coronavírus. Se as empresas atuam no fornecimento de um serviço essencial, então os trabalhadores que realizam serviço externo deveriam nesse momento de calamidade pública atuar somente em atividades essenciais. O Sindicato recebeu denúncias de companheiros em grupo de risco trabalhando normalmente e as chefias, mesmo sabendo disso, dizem que esperam comando da diretoria da empresa. Absurdo!!!

O Sinergia CUT fez as seguintes solicitações  para as empresas através de carta:

√ Que nenhum trabalhador seja demitido durante esse período de pandemia;

√ Que os trabalhadores que fazem parte do grupo de risco fiquem imediatamente

em quarentena;

√ Que elas forneçam as condições adequadas para os trabalhadores que não podem descontinuar suas atividades e/ou não podem atuar em home office e, para estes, que as empresas reembolsem as despesas de energia e internet;

√ Que esses trabalhadores passem a atuar somente nas atividades essenciais e que visam garantir o fornecimento de energia;

√ Que as empresas suspendam imediatamente os cortes de energia elétrica por falta de pagamento.

Caso as empresas não atendam as solicitações, o Sinergia CUT irá tomar outras medidas cabíveis. A entidade sindical não descartada ainda futuramente entrar com ações junto ao Ministério Público e à Justiça do Trabalho, visando garantir os direitos dos trabalhadores.

Para isso é fundamental que os trabalhadores denunciem para o Sindicato, por telefone ou principalmente através do dirigente sindical, quaisquer abusos por parte das empresas.