Centrais sindicais pressionam contra taxa de juros, mas BC mantém Selic a 15%
Juros altos só beneficiam os investidores, em contrapartida, a classe trabalhadora enfrenta dificuldade para acesso ao crédito
Publicado: 02 Fevereiro, 2026 - 10h11 | Última modificação: 02 Fevereiro, 2026 - 10h23
Escrito por: Laiza Lopes - CUT São Paulo
A CUT São Paulo, ao lado de outras categorias de trabalhadores, voltou a protestar pela redução da taxa básica de juros (Selic) na última terça-feira, 27, em frente ao prédio do Banco Central (BC), em São Paulo. O ato faz parte do movimento das centrais sindicais para pressionar por uma política de juros mais justa.
A data do ato foi escolhida de acordo com a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que ocorreu nos dias 27 e 28 de janeiro para definir os rumos da situação econômica do país. Após as reuniões, a taxa se manteve a 15%.
“A taxa elevada prejudica a classe trabalhadora em diversos pontos, dificultando o acesso ao crédito e desestimulando o investimento produtivo, o que impacta negativamente na criação de emprego. Apenas os bancos e rentistas são beneficiados com juros altos e a classe trabalhadora paga a conta”, comenta o presidente da CUT São Paulo, Raimundo Suzart.
Segundo o movimento sindical, a manutenção e elevação dos juros em patamares muito altos não é uma decisão neutra nem apenas “técnica”. Essa política questiona a chamada autonomia do Banco Central, porque, na prática, o BC age de forma politicamente orientada, contrariando o projeto econômico do governo eleito.
“A diminuição da taxa de juros apoia a inclusão social, que inclusive é pauta do presidente Lula. É a pauta que foi eleita nas urnas: emprego decente, comida no prato. Mas todos esses avanços são afetados pela política ineficaz, de juros altos, do Banco Central”, analisa o secretário-geral da CUT São Paulo, Daniel Calazans.
A Selic é usada como instrumento principal de política monetária para o controle da inflação. O Banco Central iniciou em setembro de 2024 um ciclo de aumento nos juros, levando a Selic para 15% ao ano. A taxa está neste patamar desde junho de 2025.
“É a taxa de juros mais alta do mundo e isso não se justifica, já que temos uma inflação controlada, emprego em pleno crescimento e, em contrapartida, o Banco Central segue com uma taxa que só favorece a ciranda financeira, daqueles que não produzem para o país”, reflete o secretário de Mobilização da CUT-SP, Osvaldo Bezerra.
Segundo o Boletim Focus do Banco Central, a projeção é que a Selic termine 2026 em 12,25%. Já a previsão para o fim de 2027 é de 10,5%.