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Centrais sindicais lançam proposta para enfrentar políticas do governo Bolsonaro

Ao lado de movimentos populares, entidades sindicais anunciam também Jornada Nacional de Lutas

Publicado: 18 Novembro, 2019 - 17h59 | Última modificação: 18 Novembro, 2019 - 18h29

Escrito por: Vanessa Ramos - CUT São Paulo

Foto: Paulo Pinto/Fotos Públicas
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Geração de renda e defesa do emprego. Estes foram os eixos norteadores da agenda (clique aqui para ler) apresentada nesta segunda-feira (18) pelas centrais sindicais brasileiras durante encontro no Sindicato dos Químicos de São Paulo, no bairro da Liberdade, que reuniu movimentos populares, partidos políticos e representantes do movimento sindical chileno e argentino.  

Diante de um cenário de desigualdade social, de precarização do trabalho e de aumento da pobreza, as centrais defendem, entre as suas propostas, um programa de inclusão produtiva com a abertura de vagas de emprego, mantidas pelo poder público ou privado, com o objetivo de reduzir o desemprego no Brasil.

Ao mesmo tempo, voltam-se à defesa da regulamentação e do funcionamento dos aplicativos, com a garantia de direitos aos trabalhadores que atuam por meio dessas plataformas digitais. No Brasil, ainda não há um levantamento específico sobre o número desses trabalhadores, mas é notório o aumento da informalidade, com 38,6 milhões de pessoas atuando nesta categoria, segundo Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios (Pnad) do Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o que equivale a 41,3% da população ocupada.

As entidades sindicais também destacaram a luta pela proteção às pessoas desempregadas e a construção de uma política de emergência social, como o apoio a famílias que enfrentam dificuldades diante da crise econômica.

Para enfrentar estas e outras questões, que envolvem diferentes países, a tônica que permeou o debate da CUT, CTB, Força Sindical, UGT, CSB, CGTB, Nova Central, Intersindical e CSP- Conlutas -, dos partidos PT, PSB, PCdoB, PDT, PSOL, Rede e dos movimentos sociais ligados às Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo foi a ampliação de uma luta antineoliberal em uma perspectiva de unidade latino-americana.

Neste sentido, o presidente da CUT Nacional, Sérgio Nobre destacou que o Brasil poderá colher, com a aplicação de políticas neoliberais, os mesmos frutos que o Chile.

“Eles querem implantar o modelo chileno de retirada de direitos e desorganizar o modelo sindical. Temos que defender a democracia que está em risco. A fala do deputado federal Eduardo Bolsonaro, por exemplo, ao dizer que, se a esquerda radicalizar, uma possível resposta será um novo AI-5, não pode ser levada na brincadeira. Não podemos duvidar da capacidade deste povo em fazer maldade”, afirmou.   

“Temos que defender as empresas estatais, os serviços públicos e os programas de investimentos para fazer o Brasil crescer. E temos que derrotar a reforma trabalhista que eles fizeram por medida provisória”, disse o presidente da CUT, se referindo à MP 905, que institui o programa Verde e Amarelo, apresentado pelo governo há uma semana.

Jornada de Lutas

Ao lado dos movimentos sociais, as centrais sindicais anunciaram durante o encontro a Jornada Nacional de Lutas, iniciativa com pauta unitária de mobilização contra o programa de Jair Bolsonaro (PSL) e seu ministro da Economia, Paulo Guedes. Lançaram também um manifesto. (clique aqui)

Para definir os próximos passos desta jornada haverá uma reunião dos movimentos nesta terça-feira (19), a partir das 10h, na sede da CUT. Uma agenda, porém, já foi anunciada. No dia 26, em Brasília, haverá um encontro dos servidores públicos e das estatais.

Foco no Congresso e nas ruas

Durante o encontro, a presidenta do PT, a deputada Gleisi Hoffmann, também falou com preocupação sobre as políticas neoliberais implementadas pelo governo brasileiro, principalmente as propostas de emenda à constituição que estão em tramitação (PEC do Pacto Federativo, PEC dos Fundos Públicos e PEC Emergencial).  

Segundo ela, o momento exige uma atenção redobrada. “Não podemos tirar os olhos dos projetos que estão na Câmara e no Senado”, disse, ao apresentar um documento semelhante ao das centrais, elaborado pelos principais partidos de oposição no Congresso (PT, PSol, PDT, PCdoB e PSB) com 15 propostas, em contraponto ao pacote apresentado pelo governo Bolsonaro.

Um dos coordenadores nacionais do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Paulo Rodrigues, também explicou o Plano Popular de Emergência elaborado pela Frente Brasil Popular, que pode se somar à agenda das centrais. Na ocasião, também defendeu a criação de um projeto para o Brasil que passe pela defesa dos direitos, por um modelo de desenvolvimento, a partir da distribuição de renda, por igualdade e diversidade e pela defesa da democracia e da soberania nacional.

“Precisamos imediatamente apresentar uma agenda para os trabalhadores do campo e da cidade, ainda em dezembro, para mostrar para a sociedade que temos uma alternativa de desenvolvimento diferente do que o governo apresenta”, concluiu.