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Carta de apoio à Lucimar Martins, da FETRAF-MG, vítima de violência doméstica

Confira a carta de apoio e solidariedade à companheira Lucimar Martins - Coordenadora da Federação Estadual dos/as Trabalhadores/as da Agricultura Familiar do Estado de Minas Gerais

Publicado: 16 Outubro, 2020 - 18h06 | Última modificação: 16 Outubro, 2020 - 18h33

Escrito por: CUT São Paulo

Arte: Maria Dias/CUT-SP
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Que nada nos defina, que nada nos sujeite.

Que a liberdade seja a nossa própria substância,

já que viver é ser livre.”

(Simone de Beauvoir)

 

Companheira Lucimar,


A Secretaria Estadual da Mulher Trabalhadora da CUT-SP, junto ao seu Coletivo vem, por meio desta nota, expressar o nosso apoio e solidariedade contra a situação de violência covardemente cometida por seu ex-marido.

Nós mulheres bem sabemos que a violência é uma ferramenta que impede diariamente que alcancemos os espaços de poder e decisão. A violência doméstica, seja ela física, psicológica, sexual, patrimonial etc. atinge um enorme número de mulheres que passam a conviver num ambiente de violação da dignidade da pessoa humana.

Mas, contrariando todo esse cenário, tão comum nos lares brasileiros, você tomou o caminho da luta e quis transformar a realidade. Como você mesma disse numa entrevista: “Eu falei da questão da FETRAF, né? De ter uma mulher coordenadora no estado. O campo, eu falo da vivência do campo, porque eu conheço o campo, eu sou do campo, mas acabei conhecendo a cidade pela secretaria de mulheres da CUT. E o campo é muito difícil de aceitar gay, lésbica, mulheres separadas, a gente é discriminada, a gente é deixado pra trás… se tem uma festa todo mundo é convidado e a gente é deixado pra trás, aconteceu isso comigo essa semana passada. Os negros sofrem muito preconceito no campo, porque tem ainda aquela fala de se a pessoa faz alguma coisa errada “ah, mas também olha a cor dele”, é uma fala preconceituosa. Então eu vejo quando a federação coloca na coordenação estadual uma mulher quilombola, separada, pra coordenar os sindicatos da agricultura — que a maioria são homens, os presidentes — então eu vejo que a federação tá de parabéns com esse avanço”

Nós, da Secretaria da Mulher Trabalhadora da CUT-SP, iniciamos em junho a campanha “#CutSpSororidade – basta de violência contra a mulher”, que no dia 25 de cada mês potencializa nas nossas redes sociais e em suas ações os canais e equipamentos de denúncia existentes no estado de São Paulo. Entendemos ser fundamental a divulgação desses canais, como forma de alcançar mais mulheres, mas também para promover o debate, deixá-lo em pauta a todo instante.

Por fim, companheira Lucimar, gostaríamos de dizer que a sua luta desnudou uma realidade pouco discutida na sociedade brasileira, que é a violência contra as mulheres do campo, das florestas e das águas, aquelas que vivem nos lugares mais longínquos, portanto, em lugares com maior dificuldade de pedir socorro. E, nesse sentido, entendemos que a nossa responsabilidade se torna maior diante de tantos desafios e individualidades que vivemos e que só conseguiremos vencer se estivermos todas juntas.

A Secretaria Nacional da Mulher Trabalhadora está acompanhando e nos informando sobre a sua luta e, queremos nos colocar à disposição para nos somarmos nessa caminhada.

Conte conosco, lutaremos juntas!

Secretaria Estadual da Mulher Trabalhadora da CUT-SP

Coletivo Estadual da mulher Trabalhadora da CUT-SP