MENU

Carnaval 2026: saúde, direitos e prevenção também fazem parte da folia

Garantir acesso à saude, combate ao assédio e precarização do trabalho são pautas fundamentais no período de festa

Publicado: 13 Fevereiro, 2026 - 17h31 | Última modificação: 13 Fevereiro, 2026 - 17h38

Escrito por: Laiza Lopes - CUT São Paulo

Rovena Rosa / Agência Brasil
notice

O Carnaval é tempo de alegria, cultura popular e ocupação das ruas pela classe trabalhadora. É a expressão da nossa identidade e da força coletiva. Mas também é momento de reforçar que saúde é direito e que prevenção salva vidas.

Em meio à festa, é fundamental garantir acesso à informação, aos insumos e aos serviços públicos de saúde. O SUS, patrimônio do povo brasileiro, cumpre papel central nesse período, ampliando campanhas de prevenção às Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), distribuindo gratuitamente preservativos internos e externos, gel lubrificante e ofertando testagem rápida para HIV, sífilis e hepatites virais.

A prevenção combinada é a estratégia mais eficaz: uso de preservativo, testagem regular, acesso à Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) e à Profilaxia Pós-Exposição (PEP), disponível no SUS em casos de exposição de risco. Informação é ferramenta de proteção e precisa chegar a todos os territórios, especialmente à juventude trabalhadora, à população negra, às mulheres, à população LGBTQIA+ e às periferias, historicamente mais vulnerabilizadas.

Também é essencial falar sobre consumo responsável de álcool e outras substâncias. A redução de danos é política pública séria e deve ser tratada sem moralismo. Hidratação, alimentação adequada e cuidado com o próprio corpo ajudam a evitar desmaios, mal-estar e situações de risco.

Respeito aos direitos humanos

O assédio e violência infelizmente ganham força em períodos de folia. O enfrentamento ao machismo é responsabilidade coletiva, e o poder público deve garantir canais de denúncia, acolhimento e segurança. 

Por isso, o governo federal fortaleceu a campanha contra o assédio, com o mote “Se Liga ou Eu Ligo 180”. O número 180 é um serviço gratuito e disponível 24 horas por dia, todos os dias da semana, para orientação, acolhimento e encaminhamento de denúncias. O atendimento também pode ser realizado pelo WhatsApp, no número (61) 9610-0180. 

“O corpo das mulheres não é público. Assédio é violência, e violência não faz parte do Carnaval. Se presenciar uma situação de violência contra a mulher, denuncie. Respeito é regra”, diz a secretária da Mulher Trabalhadora da CUT-SP, Marcia Viana.

Outra pauta urgente é a proteção das trabalhadoras e trabalhadores que garantem a realização da festa: ambulantes, catadores, profissionais da saúde, segurança, transporte e limpeza urbana. 

“Esses trabalhadores e trabalhadoras muitas vezes enfrentam jornadas exaustivas, trabalho sob sol forte, calor extremo, falta de descanso, além dos riscos de acidente e sobrecarga emocional”, pontua o secretário de Saúde do Trabalhador da CUT-SP, Valdeci Henrique da Silva (Verdinho).

A informalidade e falta de direitos trabalhistas muitas vezes permeiam a festa e devem ser combatidos. “Sem o trabalhador não existe carnaval. Valorizar a cultura popular também é valorizar quem trabalha nela. Portanto, que o carnaval seja de alegria, mas também de consciência de classe e que nossa luta continue depois que a festa acabar”, finaliza Verdinho.

A CUT São Paulo defende que políticas de prevenção e cuidado sejam permanentes, com financiamento adequado do SUS e valorização das trabalhadoras e trabalhadores da saúde. 

Celebrar o Carnaval é celebrar a vida. E defender o SUS, a informação de qualidade e os direitos da classe trabalhadora é garantir que a festa seja, de fato, do povo e para o povo. Com consciência, solidariedade e prevenção, a alegria se fortalece e a luta continua.