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Campinas: Profissionais da saúde cobram medidas de governantes diante da Covid-19

No domingo, participantes carregaram cruzes em homenagem aos trabalhadores do SUS mortos pelo coronavírus; Ação lembrou que a falta de políticas públicas contribui para o aumento de casos

Publicado: 29 Junho, 2020 - 14h55 | Última modificação: 29 Junho, 2020 - 15h08

Escrito por: Rafael Silva - CUT São Paulo

Divulgação
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Respeitando as medidas de segurança e proteção, trabalhadores da saúde se reuniram em um ato performance no centro de Campinas (SP) no último domingo, 28. Os manifestantes alertavam para o aumento do número de mortes por Covid-19 nas periferias da região e homenagearam os trabalhadores do SUS (Sistema Único da Saúde) que se foram por conta dessa doença.

Organizado pelo Movimento da Militância SUS, que reúne diversas organizações da sociedade civil, a atividade cobrou do prefeito Jonas Donizette medidas eficazes de proteção aos moradores e aos trabalhadores da saúde, que estão atuando sem uma quantidade suficiente de equipamentos de proteção individual (EPIs) e estrutura que, muitas vezes, não tem dado conta da demanda. Campinas registra, até a manhã desta segunda (29), 7.848 moradores infectados pela doença, com 296 mortes, segundo dados da prefeitura. Dessas mortes, seis são de trabalhadores da saúde.

“Exigimos neste ato que o governo de Jonas Donizette tome as ações necessárias para o enfrentamento dessa pandemia. Nós pedimos que ocorra o ‘fecha tudo’ com justiça social, onde de fato a cidade vá para o isolamento, mas cuidando de todos e todas que não têm condições para enfrentar essa pandemia sem a correta e justa ajuda por parte da gestão pública”, disse Mario Macedo Neto, diretor do Sinergia-CUT Campinas, conselheiro de saúde e integrante do Coletivo de Saúde da Subsede Campinas.

O ato, onde os participantes carregaram cruzes e faixas, teve início no Largo do Rosário, no centro da cidade, e terminou em frente à sede da prefeitura. Confira abaixo a nota construída pelos participantes:

A pandemia causada pelo novo coronavírus se alastrou de forma alarmante em nosso país e nas últimas semanas tem crescido exponencialmente o número de casos e de óbitos pela doença em nossa região, especialmente nas regiões mais periféricas e vulneráveis, como aquelas dos distritos de saúde sul, noroeste e sudoeste de Campinas. A falta de políticas públicas que garantissem um isolamento efetivo para os moradores dessas regiões foi grande responsável pelo expressivo aumento dos casos no município.

Atualmente, a quarentena associada a outras medidas que permitam o isolamento social são as únicas medidas comprovadamente eficazes para deter a disseminação do vírus e reduzir o número de casos. Os estudos sugerem índice de ao menos 70% de isolamento para forçar uma redução na taxa de infecção, evitando-se a sobrecarga do sistema de saúde e reduzindo os óbitos. O estado de São Paulo e o município de Campinas, na contramão da política genocida do governo federal, investiram no isolamento social precocemente, o que retardou a escalada de casos no principio, mas nunca alcançou o índice esperado, ficando abaixo de 50% na maior parte dos dias. Isso culmina na dramática situação de sobrecarga de leitos, tendo os leitos SUS municipais atingido 100% de ocupação por cerca de duas semanas.

Entretanto, ao invés de apostar em estratégias mais rigorosas de garantia do isolamento - como o fecha-tudo ou lockdown - vimos o governo municipal flexibilizar ainda mais o isolamento por meio da reabertura do comércio não essencial, templos e igrejas no município por duas semanas enquanto a região passava por exorbitante aumento de casos.

Nesse cenário, temos os profissionais de saúde, que atuam na linha de frente de atendimento aos infectados pelo vírus em condições precarizadas, por vezes sem garantia de EPI, em jornadas exaustivas seja pela falta de profissionais suficientes ou pela sobrecarga na demanda de atendimento, e lidando com a falta de estrutura necessária para prover o atendimento adequado. Campinas é município com grande número de profissionais pertencentes ao grupo de risco e conta, até o presente momento, com seis óbitos de profissionais por COVID-19, segundo levantamento oficial. É necessário que condições dignas de trabalho sejam garantidas, com mais contratação de profissionais, garantia de EPIs, ampliação da estrutura e medidas de contenção pré-hospitalar da pandemia.

Saímos hoje às ruas neste ato performance para manifestar nossa indignação frente ao descaso dos governos Bolsonaro, Dória e Jonas para com as vidas da população afetada pela pandemia, e nos colocando em defesa do SUS e dos profissionais da saúde, sem os quais não seria possível enfrentar essa pandemia!”