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Banco do Povo transforma vidas de trabalhadores há 22 anos no ABC

Iniciativa de crédito já mudou a história de trabalhadores em diferentes municípios

Publicado: 01 Outubro, 2020 - 10h13 | Última modificação: 01 Outubro, 2020 - 14h19

Escrito por: Vanessa Ramos - CUT São Paulo

Foto: Portal BPCS/divulgação
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Alternativas de políticas públicas de geração de renda, combate ao apartheid financeiro, inclusão social e desenvolvimento local. Essas são algumas das ações promovidas pelo Banco do Povo Crédito Solidário (BPCS) de Santo André, no ABC paulista.

Iniciado em 1998 sob a gestão de Celso Daniel, em Santo André, a iniciativa contou com a parceria do Sindicato dos Trabalhadores Bancários do ABC, do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga do ABC e da Associação Comercial e Industrial de Santo André.

Com o objetivo de promover geração de emprego e renda por meio da concessão de linhas de microcrédito para o desenvolvimento de pequenos empreendimentos, esta ação já transformou a vida de inúmeras famílias.

O projeto criado para atender a população de Santo André, lembra o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Bancários do ABC, Belmiro Moreira, se expandiu com o passar dos anos a outras regiões do ABC, da cidade de São Paulo e alcançou também a cidade de Campinas, no interior paulista.

“O banco sempre levou microcrédito para as áreas periféricas, para as comunidades, as regiões mais pobres, fazendo com que os empreendedores dessas regiões movimentem a economia local. Significa levar crédito barato àquelas pessoas que geralmente não têm acesso aos bancos em geral, porque os bancos fazem uma seletividade e negam crédito a este perfil de público”, relata.

Como pioneira na concessão de microcrédito no estado de São Paulo, Moreira avalia que esta iniciativa protagonizou ações futuras que envolveram os governos de outras localidades.

“Levamos dignidade aos trabalhadores excluídos do sistema financeiro nacional, com o fornecimento de créditos não apenas individuais, mas coletivos”, explica o dirigente, que é também secretário de Comunicação da CUT-SP.

As afirmações de Moreira podem ser observadas na história da microempresária Damiana Avelino Silva que, em entrevista concedida ao programa Bom Dia Brasil, da TV Globo, na edição especial sobre eleições 2020, relata que tudo começou com um empréstimo de R$ 4 mil do Banco do Povo.

Segundo a reportagem, há 20 anos, com o dinheiro emprestado a juros baixos, Damiana comprou novas máquinas de costura, linha e tecidos e ampliou o seu negócio. Hoje ela tem uma marca própria de roupas infantis e tem duas funcionárias que ajudam na produção. “Mais para frente eu pretendo fazer delivery”, relata, ao contar que já recebe pedidos de estados como Rondônia e Bahia.

Conheça melhor

O BPCS foi fundado em 1º de janeiro de 1997, mas iniciou suas atividades em 12 de maio de 1998, pela prefeitura de Celso Daniel, em Santo André, frente a uma grave crise de emprego.

Como política de desenvolvimento econômico, suas ações eram focadas no atendimento de áreas mais pobres da cidade de Santo André e, em parceria com outras iniciativas de inclusão social, o banco concedia crédito individual aos empreendedores populares.

Foi criado inicialmente como um ONG e, posteriormente, se transformou em Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip).

Após cinco anos da criação, as prefeituras de Mauá, Diadema e Ribeirão Pires e a Associação Padre Leo Commissari, de São Bernardo do Campo, entram no projeto como sócios do banco.

De um projeto que começou em um ônibus móvel, em Santo André, o programa cresceu com o passar dos anos. Hoje existem nove unidades fixas de atendimento presentes na cidade de origem, mas também nos municípios de São Bernardo do Campo, Mauá, Diadema e nos bairros paulistanos de Guaianazes, Jardim Ângela, São Mateus e São Miguel, além da cidade de Campinas.

Diretor Executivo do Banco do Povo, Fábio Maschio Rodrigues, aponta a importância do banco inclusive no pós-pandemia.

“Há 20 anos o Banco do Povo tinha um papel importante em uma época de alto desemprego e, no pós-pandemia, ele volta a ser protagonista de novo para gerar mais emprego, trabalho, ocupação e renda para a população”, afirma.