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Ato pressiona pela reabertura do serviço de aborto legal no Hospital Cachoeirinha

Cerca de 50 pessoas que representam entidades sindicais, movimentos sociais e partidários, reforçaram a luta também contra o PL do Estupro em frente ao Hospital Cachoeirinha

Publicado: 03 Julho, 2024 - 19h14 | Última modificação: 03 Julho, 2024 - 19h21

Escrito por: Laiza Lopes - CUT São Paulo

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Na manhã desta quarta-feira (3), cerca de 50 pessoas que representam entidades sindicais, movimentos sociais e partidários, fizeram pressão em frente ao Hospital Maternidade Vila Nova Cachoeirinha para exigir a reabertura do Programa Aborto Legal, fechado desde dezembro de 2023 pela gestão do atual prefeito Ricardo Nunes (MDB). 

A iniciativa foi organizada  pela Frente em Defesa dos Trabalhadores/as dos Direitos Reprodutivos, da qual a CUT-SP é signatária. 

"O PL 1904 tem sido operado aqui na cidade de São Paulo antes mesmo de sua aprovação, com o fechamento dos serviços de aborto legal do Hospital Cachoeirinha. Precisamos estar organizados para não permitir esse retrocesso que criminaliza mulheres e crianças da cidade", afirma Márcia Viana, secretária da Mulher Trabalhadora da CUT-SP, que somou forças na manifestação.

Na semana passada, os processos administrativos contra as médicas do Hospital foram suspensos com o recuo do Cremesp diante do pedido do STF. Porém, a tentativa de criminalizar profissionais dos direitos reprodutivos continua, mesmo com a derrubada da Resolução do CFM, que proibia o procedimento de aborto legal após 22 semanas. 

O Hospital também tem papel fundamental para formar novos profissionais, uma vez que também é uma unidade escola, ressalta o Simesp (Sindicato dos Médicos de São Paulo). Portanto, o fechamento dos serviços atrapalha também o desenvolvimento de novos trabalhadores e trabalhadoras para atuar nesse tipo de procedimento.

“Dados sigilosos de pacientes e médicas que realizaram o aborto legal na unidade foram acessados pela Prefeitura. Eles não tinham direito de fazer isso, foi uma atitude criminosa da gestão, que acha que está acima da lei. Estamos aqui também para denunciar”, disse Laudiceia Reis, dirigente do Sindsep que também está na Frente em Defesa dos Trabalhadores/as dos Direitos Reprodutivos.

Laiza Lopes / CUT-SPLaiza Lopes / CUT-SP
À esquerda Márcia Viana, secretária da Mulher Trabalhadora da CUT-SP e Luana Bife, direção executiva da CUT-SP

 

O sucateamento dos serviços da saúde pública tem sido uma realidade no município de São Paulo, com uma onda de terceirizações e privatizações. Neste sentido, há vários equipamentos sob gestão das Organizações Sociais (OSs).  A falta de concursos públicos para contratação de novos trabalhadores e trabalhadoras também tem sido denunciada pelos sindicatos. 

O ato contou com falas de mulheres que representam diversos movimentos, além de parlamentares de partidos como PT e PSOL, e terminou com uma caminhada até a porta da unidade para marcar a reivindicação pela volta do funcionamento do programa.