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Ato em SP apoia trabalhadores petroleiros e repudia a privatização da Petrobrás

Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo protestam na Avenida Paulista contra desmonte da estatal e demissões de trabalhadores

Publicado: 21 Fevereiro, 2020 - 08h40 | Última modificação: 21 Fevereiro, 2020 - 21h09

Escrito por: Vanessa Ramos - CUT São Paulo

Guilherme Weimann/Sindipetro Unificado-SP
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Movimentos ligados às frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo protestaram na Avenida Paulista no final da tarde e início da noite desta quinta-feira (20) em solidariedade aos petroleiros paralisados desde o dia 1º de fevereiro.

Cerca de 1 mil pessoas passaram pelo ato em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), na capital paulista, de acordo com os organizadores da atividade. Depois, os movimentos seguiram em marcha por uma das vias da Avenida Paulista, sentido Paraíso, até o número 500, onde funcionava uma sede da Petrobrás até 2019.

A greve da categoria, agora suspensa, chegou a sua terceira semana, com 21 mil trabalhadores paralisados em 121 unidades do sistema Petrobrás, segundo a Federação Única dos Petroleiros (FUP).

A suspensão temporária da greve, anunciada pela federação na noite de quarta-feira (19), irá até o dia 6 de março, data em que o Tribunal Regional do Trabalho do Paraná suspendeu as demissões dos trabalhadores na Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen).

O protesto na capital paulista é também contra a privatização, as demissões arbitrárias no sistema Petrobrás e pela redução dos preços de combustível e do gás de cozinha, como apontou o vice-presidente da CUT São Paulo, Luiz Cláudio Marcolino.

"Esta é uma luta de todo povo brasileiro. O desmonte das empresas públicas e das estatais, como a Petrobrás, a Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil e os Correios se refere a uma política gestada no governo de Michel Temer, agora consolidada no governo Bolsonaro. É uma política econômica que pretende privatizar e tirar direitos, como o que aconteceu com a reforma trabalhista no Brasil", exemplificou.

O ato em solidariedade à categoria e contra o desmonte da estatal ocorreu no mesmo momento em que trabalhadores petroleiros realizaram assembleias em Campinas (SP), Mauá (SP), São Paulo (SP) e Três Lagoas (MS).

O petroleiro Felipe Grubba, coordenador da Regional São Paulo do Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro-SP), comentou sobre os desdobramentos da greve.

"Conquistamos a abertura de uma negociação com o Tribunal Superior do Trabalho e o Ministério Público do Trabalho para debatermos questões específicas que nos levaram à greve, o fim das demissões dos trabalhadores da Fafen, pontos do acordo coletivo e também as punições que a Petrobrás vem apresentando aos trabalhadores que lutaram legitimamente contra os ataques da gestão Bolsonaro presente na Petrobrás", explicou.

Ao seu lado, a petroleira aposentada, Davina Valentim da Silva, falou com orgulho da mobilização de sua categoria neste ano. Ela, que ingressou na Petrobrás em março de 1976, viveu as maiores greves em defesa da estatal, como a de 1995, que durou 32 dias.

"A Petrobrás é parte de mim. Choro todos os dias quando vejo o desmonte que vem acontecendo. Temos que seguir lutando contra a privatização. Esta greve foi uma afronta importante contra o governo Bolsonaro. E nossa luta não termina aqui", disse a petroleira aposentada, aos 77 anos de idade.

Vanessa Ramos/CUT São PauloVanessa Ramos/CUT São Paulo

Para Telma Aparecida Victor, professora e secretária de Formação da CUT-SP, a luta de cada categoria não se encerra em si. A defesa dos direitos e do patrimônio público brasileiro, afirmou a dirigente, deve ser de toda a sociedade.

"Esta greve mostra a organização da classe trabalhadora. A Petrobrás é nossa e não está à disposição dos interesses dos estrangeiros. Ela é uma empresa brasileira e que deve servir ao povo brasileiro", concluiu.