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“As pessoas com deficiência querem ser ouvidas e respeitadas”

Dirigentes sindicais falam sobre o quanto é preciso avançar na prática de inclusão no mercado de trabalho e na sociedade

Publicado: 21 Setembro, 2021 - 17h25 | Última modificação: 21 Setembro, 2021 - 18h07

Escrito por: Vanessa Ramos - CUT São Paulo

Foto: Divulgação/SMCS
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“As pessoas com deficiência não querem privilégios nem exclusividade, o que queremos é inclusão”. A afirmação da coordenadora do Coletivo de Trabalhadores e Trabalhadoras com Deficiência da CUT-SP, Letícia Peres Françoso, diz muito sobre o quanto o Brasil precisa avançar na questão.

Nesta terça-feira (21), quando se comemora o Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência, Letícia observa que existe ausência de aplicação de políticas públicas, assim como falta empatia para com as pessoas com deficiência.

“Sentimos falta de um olhar humano, as pessoas precisam se colocar no lugar das outras para entenderem o que vivemos”, aponta Letícia, que teve uma de suas pernas amputada aos 10 anos de idade, após acidente de carro envolvendo um motorista alcoolizado ao volante.

Políticas na prática

O Brasil tem 17,3 milhões de pessoas com deficiência, segundo Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019, divulgada em agosto deste ano pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“É fundamental estarmos atentos ao que as pessoas com deficiência têm a dizer, até mesmo para que a gente não caia na ideia no discurso sobre capacitismo, que é a discriminação contra pessoas que fogem de ‘padrões’ considerados funcionais e normais”, avalia a secretária de Políticas Sociais da CUT-SP, Kelly Domingos.

Trabalhadora bancária, Letícia defende ser urgente a execução de políticas públicas que promovam de fato a inclusão e tragam as pessoas com deficiência para o centro do debate.

“As leis existem, mas não são cumpridas. Vivemos num país de retrocessos com relação às políticas de pessoas com deficiência. Bolsonaro tem sido um governo que expressa isso, já que foram várias as suas tentativas de acabar com a Lei de Cotas para privilegiar empresas, excluindo todas as conquistas que tivemos", critica Letícia, ao se referir à lei nº 8213, de 1991, que prevê a garantia do direito à inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Em julho, a Lei de Cotas completou 30 anos de vigência. 

“Em tempos de pandemia, as pessoas com deficiência estão entre as mais afetadas pelas políticas genocidas do governo. Barrar isso e garantir a aplicação das leis deve ser tarefa de empresas, de faculdades, de escolas e de toda sociedade”, conclui Kelly.