Após demissão em massa na Suzano, Sindicato conquista Acordo Coletivo histórico
Negociação firme garantiu proteção social e reduziu impactos econômicos para dezenas de famílias
Publicado: 13 Janeiro, 2026 - 10h47 | Última modificação: 13 Janeiro, 2026 - 11h15
Escrito por: Sindicato dos Papeleiros de Mogi das Cruzes e Região
Na primeira sexta-feira do ano, em 2 de janeiro, o presidente do Sindicato dos Papeleiros de Mogi das Cruzes e Região, Márcio Cruz, o Bob, recebeu uma notificação que mudaria drasticamente a vida de dezenas de trabalhadores e trabalhadoras. A Suzano S.A comunicava, de forma unilateral, a demissão em massa de cerca de 140 empregados da Fábrica C, unidade Rio Verde, localizada no município de Suzano, na Região Metropolitana de São Paulo.
No documento, a empresa — que se apresenta como a maior produtora de celulose do mundo — oficializou o fechamento da fábrica já no primeiro dia útil seguinte, em 5 de janeiro. A decisão abrupta, sem qualquer diálogo sindical prévio, lançou trabalhadores, trabalhadoras e suas famílias em um cenário imediato de insegurança, incerteza e desespero.
Diante da postura arbitrária da empresa, o Sindicato atuou em duas frentes simultâneas: denunciou nacional e internacionalmente o fechamento da unidade e iniciou, de forma imediata, um processo intenso de negociação coletiva. O objetivo foi claro: garantir direitos, proteger famílias e reduzir os profundos impactos sociais e econômicos provocados pela demissão em massa.
Após um processo exaustivo de negociação, a entidade conquistou um Acordo Coletivo considerado histórico no setor, que assegura medidas inéditas de proteção aos trabalhadores desligados.
O Acordo garante:
- Extensão, por seis meses, dos principais benefícios, incluindo cesta básica, auxílio filho/a PCD e convênio médico para titulares e dependentes;
- Bonificação vinculada ao tempo de casa, paga junto à rescisão contratual.
Para Bob, a atuação sindical foi decisiva para impedir danos ainda maiores.
“A extensão de benefícios após a demissão e a bonificação por tempo de casa não estão previstas em lei nem na Convenção Coletiva. A estratégia da Suzano sempre foi fechar a fábrica rapidamente, impedindo qualquer negociação. O Sindicato reagiu com agilidade, tornando pública — no Brasil e em diversos países onde a empresa atua — a postura irresponsável da Suzano diante de seus compromissos sociais”, afirmou.
A conquista demonstra, mais uma vez, que organização sindical, mobilização e negociação coletiva são instrumentos fundamentais para a defesa de direitos, especialmente diante de decisões empresariais que desconsideram trabalhadores, famílias e comunidades inteiras.
