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Acordo por indenizações na LG é quase 90% maior que proposta inicial da empresa 

Valor individual das indenizações vai de R$ 12 mil a R$ 73 mil, sendo calculado de acordo com o tempo de casa e o salário de cada funcionário

Publicado: 29 Abril, 2021 - 21h52 | Última modificação: 29 Abril, 2021 - 21h56

Escrito por: Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté e Região - Sindmetau

SINDMETAU
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O Sindmetau (Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté e Região) apresentou aos trabalhadores e trabalhadoras o valor final das indenizações na LG. A assembleia foi realizada nesta quinta-feira (29) na portaria principal da fábrica.

O valor global das indenizações será de R$ 37,5 milhões, um resultado 87,5% maior do que a proposta inicial feita pela LG, que era de R$ 20 milhões. “Isso foi possível, principalmente, pela disposição de luta e pela capacidade de articulação do Sindicato e dos trabalhadores”, afirma o presidente do Sindmetau, Claudio Batista.

O valor individual das indenizações vai de R$ 12 mil a R$ 73 mil, sendo calculado de acordo com o tempo de casa e o salário de cada funcionário. O acordo também estabelece pontos como pagamento da PLR (Participação nos Lucros e Resultados) e extensão do plano médico até 31 de janeiro de 2022.

Além da indenização, os trabalhadores vão receber todas as verbas rescisórias e terão acesso ao seguro-desemprego. O presidente do Sindmetau destaca ainda a importância da mediação feita pelo TRT (Tribunal Regional do Trabalho) e pelo MPT (Ministério Público do Trabalho) para construção do acordo. “Foi um trabalho fundamental”, aponta. 

Conciliação

O acordo foi encaminhado na quarta-feira (28), após os trabalhadores aprovarem uma conciliação sugerida pelo TRT e pelo MPT. Com o aval dos funcionários, a proposta foi então oficializada junto à LG. A empresa aceitou os novos termos, concluindo os ajustes finais do acordo com o Sindicato. 

“Foi um processo muito árduo, com vigília 24 horas na porta da empresa. Muitas mães de família vinham com seus filhos e com seus maridos. Sempre todo mundo unido, forte e resistente. Foi um período muito difícil, mas superamos com a união de todos”, explica Camila Martins, dirigente sindical e trabalhadora na LG.

Com a indenização aprovada, os funcionários encerram a greve e retornaram ao expediente já nesta quinta-feira. O acordo contempla 705 trabalhadores. Eles atuam na divisão de celulares, encerrada globalmente pela LG, e na linha IT (monitores e notebooks), que será transferida para Manaus. As atividades na fábrica devem ser finalizadas em agosto.

A LG irá manter em Taubaté o setor de call center/service, que conta com cerca de 300 trabalhadores. “Cobramos que a LG, ao trazer novos produtos para o Brasil, priorize Taubaté. Que ela procure o Sindicato para construir mecanismos para gerar novos empregos na LG”, afirma Claudio.

O Sindmetau, em parceria com outros sindicatos da região, também vai criar uma rede para que os currículos dos trabalhadores e trabalhadoras na LG sejam encaminhados para possíveis vagas nas indústrias da região. “É uma alternativa para tentar ajudar os trabalhadores na recolocação no mercado”, explica o presidente do Sindmetau.

Entenda o caso

Em janeiro deste ano começaram a circular informações no mercado e na imprensa sul-coreana sobre uma possível venda da divisão de celulares da LG. Diante do cenário de incertezas, em 26 de março, os trabalhadores aprovaram o estado de greve.

No dia 5 de abril, a fabricante sul-coreana disparou um comunicado onde informava o encerramento global da divisão de celulares, alegando que a área acumulava um prejuízo de 4,1 bilhões de dólares.

No dia seguinte, em reunião com o Sindicato, a empresa informou que pretende transferir a linha de notebooks e celulares de Taubaté para Manaus. A LG alega que na capital do Amazonas terá incentivos fiscais, o que não ocorre no estado de São Paulo.

Após reuniões com o Sindicato, a empresa apresentou a primeira proposta de indenização aos trabalhadores. Mas o acordo foi rejeitado em assembleia no dia 12 de abril. Os funcionários aprovaram então o início de uma greve na empresa.

No dia 19 de abril, após uma audiência de conciliação no TRT, os funcionários suspenderam a greve para retomada das reuniões com a empresa. O Sindicato iniciou uma nova rodada de negociações, resultando na segunda proposta de indenização, que foi rejeitada no dia 23 de abril.

A greve e a vigília na fábrica foram então retomadas na segunda-feira (26). Nesta terça-feira (27) foi realizada uma nova audiência de conciliação no TRT, que deu origem à terceira proposta de indenização, aprovada pelos trabalhadores e aceita pela LG.

Notícia publicada no site do Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté e Região