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50 mil ocupam Vale do Anhangabaú pelo 'Fora Bolsonaro' em São Paulo

Participantes do Grito dos Excluídos e das Excluídas levantaram bandeiras em defesa da vida, comida, moradia, trabalho e renda, enquanto que grupos fascistas pediam golpe militar na Avenida Paulista

Publicado: 07 Setembro, 2021 - 18h27 | Última modificação: 08 Setembro, 2021 - 12h26

Escrito por: Vanessa Ramos e Rafael Silva - CUT-SP

Foto: Dino Santos/CUT-SP
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Fome, mortes, desemprego, inflação, crise política e econômica. O 7 de setembro de 2021 é o de um Brasil cada vez mais desigual, com a extrema pobreza batendo à porta de muitos graças a uma política desastrosa do governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL). Com isso, a 27ª edição do Grito dos Excluídos e Excluídas, nesta terça-feira, levou às ruas o pedido de saída imediata do presidente.

Em São Paulo, o ato principal ocorreu no Vale do Anhangabaú, no centro, e reuniu cerca de 50 mil pessoas, segundo estimativas dos organizadores. Desde às 14h, o local passou a receber pessoas de diversas regiões, bem como representantes das centrais sindicais, sindicatos, movimentos sociais e populares e partidos progressistas. Com o tema ‘Vida em Primeiro Lugar’, o Grito deste ano sofreu interferência por parte do governador João Doria (PSDB), que tentou impedir a manifestação na capital, mas acabou derrotado na Justiça.

Além disso, neste ano, o Grito dos Excluídos e das Excluídas foi realizado ao mesmo tempo em que manifestantes apoiadores do governo federal se reuniam na Avenida Paulista, na capital, para defender pautas antidemocráticas, como o pedido de golpe militar e o fechamento do Supremo Tribunal Federal.

Douglas Izzo, presidente da CUT-SP, durante discurso

Diferente dos atos pró-Bolsonaro, nas manifestações em São Paulo e em diferentes estados do país, o cenário foi de diversidade de público e de pautas em defesa dos diretos, da democracia, da igualdade, da equidade e da soberania nacional.

Ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad discursou em defesa do impeachment de Bolsonaro. “Tivemos dois atos aqui na cidade. Um deles com gente defendendo a ditatura e o fascismo no nosso país. Algo inédito ocorrendo na República. Depois de três anos de destruição do emprego, das vidas, da esperança, de parte do futuro do Brasil, o que aquelas pessoas estão fazendo na Paulista? Por que não estão aqui defendendo a República, a Constituição, os direitos e a liberdade?”, questionou.

Após a fala de Haddad, o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos comentou sobre as tentativas de intimidação que a base bolsonarista tenta fazer ao país. “O ato de hoje é simbólico representa o fato de que não vamos deixar eles se apropriarem dos símbolos nacionais. Nós não temos medo de ameaças golpistas, de intimidação miliciana”, disse.

Foto: Dino Santos/CUT-SPFoto: Dino Santos/CUT-SP
Dirigentes da CUT-SP na distribuição de alimentos

Distribuição de alimentos

Com a volta da fome no país, os atos democráticos desta terça-feira também tiveram caráter solidário. No Vale do Anhangabaú, uma tenda foi montada pela Federação da Agricultura Familiar do Estado de São Paulo (FAF) e os sindicatos CUTistas da agricultura familiar, em parceria com o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), para que alimentos orgânicos fossem distribuídos a famílias que enfrentam situação de extrema pobreza.

“Hoje fizemos a distribuição para aqueles que têm fome. E é isso que mostra a diferença dos nossos atos, pois estamos nas ruas pelo combate à fome, ao desalento e por habitação para o povo brasileiro, defendendo a democracia e a soberania nacional”, afirmou Douglas Izzo, presidente da CUT-SP.

O casal de haitianos, Israel Jerome e Rosemy Jerome, foi um dos que receberam doação de alimentos. "Bolsonaro não representa os trabalhadores e o povo sofrido. As pessoas estão passando fome, sofrendo e ele não faz nada para resolver isso. Da mesma forma, ele não está preocupado com nós imigrantes que estamos buscando sobrevivência", disse Israel.

Israel tem 34 anos, está há cinco anos no Brasil, trabalha como auxiliar de serviços gerais em uma empresa e sonha com a saída de Bolsonaro da presidência da República.

"Quero um mundo mais justo com os pobres. Meu sonho é que a vida aqui no Brasil melhore e que eu possa trazer meu filho de 12 anos do Haiti para cá, mas sem este governo que só nos massacra", afirmou.

O ato da capital paulista também recebeu doações de alimentos que irão compor cestas básicas para trabalhadores e trabalhadoras em situação de pobreza. Sindicatos da CUT também ajudaram na distribuição de máscaras e álcool em gel, além de reforçarem outras medidas sanitárias.

Mais cedo, na Praça da Sé, a Pastoral do Povo de Rua organizou um café da manhã para a população em situação de rua, que teve o apoio do movimento sindical.

Foto: Dino Santos/CUT-SPFoto: Dino Santos/CUT-SP

Voz dos povos tradicionais

A liderança indígena, Maria Guarani Mbyá, que vive na região do Pico do Jaraguá, na zona oeste da cidade de São Paulo, reuniu a atenção de milhares de pessoas durante sua fala em cima do caminhão.

As baterias no meio da multidão silenciaram para ouvir a voz dos povos originários que enfrentam com sangue as políticas advindas do governo federal, especialmente com o 'marco temporal', pauta em discussão no Supremo Tribunal Federal (STF).

Uma tese que defende que os indígenas somente podem reivindicar as terras demarcadas nas quais estavam, fisicamente, até o dia 5 de outubro de 1988, quando foi proclamada a Constituição.

"Esse governo golpista e genocida está levando para as nossas aldeias muitas mortes, está destruindo o país. O Brasil inteiro já foi território indígena, mas hoje temos poucos povos indígenas", destacou.

Foto: Dino Santos/CUT-SPFoto: Dino Santos/CUT-SP

Ao repudiar ações de Bolsonaro e falar sobre valores que são parte da tradição Guarani, Maria explicou sobre Nhanderu, que significa Deus verdadeiro.

"Foi ele quem deixou nossos territórios sagrados, quem deixou a nossa natureza, quem deu a vida para todos nós. Ele não deixou para esse presidente destruir, queimar e matar as vidas que têm dentro da natureza".

Além dos representantes indígenas, lideranças da Coalizão Negra Por Direitos reforçaram durante o ato o caráter genocida e racista do governo Bolsonaro e destacaram a luta pela eliminação dos sistemas de dominação racial e patriarcal no Brasil.

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