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Dirigentes da CUT São Paulo traçam planejamento das ações políticas para 2020

Trabalhadores discutem conjuntura e estabelecem estratégias de luta em defesa dos direitos e da democracia

Publicado: 29 Fevereiro, 2020 - 16h46 | Última modificação: 05 Março, 2020 - 18h48

Escrito por: Vanessa Ramos - CUT São Paulo

Vanessa Ramos/CUT-SP
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A direção da CUT São Paulo realizou nos dias 28 e 29 de fevereiro seminário de planejamento para debater a atual conjuntura brasileira e definir ações políticas no estado paulista para 2020. O encontro ocorreu na Escola Nacional Florestan Fernandes, na cidade de Guararema (SP).

O seminário é um desdobramento da plenária da entidade realizada no dia 1º de fevereiro na cidade de São Paulo e uma continuidade do 15º Congresso Estadual (CECUT-SP),  ocorrido em novembro de 2019, após um mês do 13º Congresso Nacional da CUT (CONCUT) “Lula Livre” – Sindicatos Fortes, Direitos, Soberania e Democracia, na cidade de Praia Grande (SP).

Os eixos de debate foram em torno das políticas promovidas pelos governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro, como as reformas Trabalhista, da Previdência, da Carteira Verde e Amarela,  Administrativa - relacionada aos servidores-, e a Sindical, além de projetos e ações incentivados pelo governo de João Doria (PSDB), em São Paulo, e por gestões municipais.

Ao mesmo tempo, os dirigentes definiram que será central a defesa da democracia, dos direitos dos trabalhadores em empresas privadas, públicas e estatais e do papel dos sindicatos, como destacou o presidente da CUT-SP, Douglas Izzo.

“Temos nosso projeto político e vamos às ruas para defender e ampliar aquilo que já conquistamos. Nossa luta será grande. Nosso país vive uma conjuntura que a cada momento tem um fato novo. Quem poderia imaginar que chegaríamos ao atual estágio, num Brasil onde há um aprofundamento do autoritarismo e do militarismo”, disse.

Os trabalhadores de todos os segmentos têm, segundo Izzo, “a tarefa de seguir promovendo greves, a exemplo do que os petroleiros fizeram neste ano e do que os servidores públicos em geral têm feito, contra a privatização das empresas estatais e públicas e em defesa dos direitos, da soberania nacional e contra a precarização da força de trabalho".

Vanessa Ramos/CUT-SPVanessa Ramos/CUT-SP
Da esquerda para a direita: secretário-geral da CUT-SP, João Cayres, presidente da CUT-SP, Douglas Izzo, e secretária de Formação da CUT-SP, Telma Aparecida

Lutas permanentes

Um dos encaminhamentos propostos, como destacou o secretário-geral da CUT-SP, João Cayres, foi também "a realização de uma campanha que mostre a importância dos sindicatos na sociedade. Todo país democrático desenvolvido tem sindicatos fortes, a exemplo da Alemanha". 

Ponto fundamental em 2020, o encontro definiu a construção de uma plataforma a ser entregue aos candidatos nas eleições para prefeitos e vereadores neste ano, bem como a criação de campanhas sindicais em defesa dos direitos, como explicou o vice-presidente da CUT São Paulo, o bancário Luiz Cláudio Marcolino.

“Tiramos como encaminhamento a realização de uma campanha em defesa dos serviços públicos e da seguridade social que hoje garantem direitos fundamentais como o seguro-desemprego, a licença-maternidade, assistência em casos de acidentes de trabalhos, saúde, entre outros direitos garantidos na Constituição que sofrem ataques reiterados em todas ações que o governo federal tem encaminhado ao Congresso Nacional”, afirmou.

Vanessa Ramos/CUT-SPVanessa Ramos/CUT-SP
Seminário de Planejamento ocorreu na Escola Nacional Florestan Fernandes, em Guararema, criada e administrada pelo MST

Sobre esta questão apontada por Marcolino e em todos os grupos de debate em torno das pautas políticas foi unânime a necessidade de fortalecer os meios de comunicação para fazer o enfrentamento político diante de um cenário de fake news que assola redes sociais e grupos de WhatsApp.

“A disseminação das notícias falsas tem relação com uma disputa política que se intensificou desde a última eleição à presidência. Temos visto o avanço da direita conservadora e digital que procura ameaçar a democracia no país. Vivemos hoje uma guerra entre o que diz a grande mídia comercial tendenciosa e a mídia nas redes sociais em contraponto à realidade concreta da classe trabalhadora. E tudo isso se constrói rapidamente nos trazendo o desafio da resposta assertiva e do fortalecimento de nossos canais de comunicação, mostrando de fato o que está por trás deste jogo político que ameaça os nossos direitos e o futuro do Brasil", avaliou o secretário de Comunicação da CUT-SP, Belmiro Moreira.

Para a secretária de Formação da CUT-SP, Telma Aparecida Victor, o objetivo da direita no país e de alguns grupos na sociedade é minar o Estado de bem-estar social, desqualificando-o. Da mesma forma, avalia, procuram desvalorizar o papel do movimento sindical.

“É hora de aprofundarmos o trabalho formativo junto aos trabalhadores e trabalhadoras, especialmente nas periferias, para desconstruirmos isso. Precisamos do apoio de todos os grupos sociais. Mas gostaria de enfatizar aqui o papel que as mulheres têm desenvolvido desde o golpe no país, exemplo de protagonismo nas lutas populares”, concluiu a dirigente.