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Qual o Brasil que queremos?

Publicado: 20 Março, 2018 - 00h00

Vivemos um 2018 atípico e fora da normalidade democrática. Em janeiro, iniciamos com dados de uma pesquisa da Oxfam, que afirma que cinco famílias têm renda de 130 milhões de brasileiros e que os 5% mais ricos detém a mesma fatia que a metade da população mais pobre do Brasil. Vivemos nos tempos do golpe!

Marcado pelo TRF4 o julgamento do ex-presidente Lula, o voto de um desembargador pela condenação foi de aproximadamente 430 páginas, pasmem, 430 páginas, mas sem mostrar um fato concreto para condenar o réu, uma decisão somente baseada em ‘delações’.

Em 13 de dezembro de 2017 quando foi pautado o ‘julgamento’ sobre o “caso tríplex”, havia 237 processos na fila esperando data para ser julgado, mas como se trata do Lula, o desembargador do TRF4 determinou o dia 24 de janeiro como a data do julgamento.

Não estranho, todo o processo do “caso tríplex” conta com mais de 250 mil páginas e o relator do TRF4 precisava ler mais de 2 mil páginas por hora, sem dormir, para avaliar tudo o que estava no processo e determinar a condenação ou não, mas o que vimos foi a pressa do TRF4 em julgar e condenar Lula.

Já no dia 24 de janeiro, antes do término do primeiro voto, a Band News já dava a condenação de Lula por 3 votos favoráveis, antes mesmo de terminar a leitura do voto, ou seja, os votos foram vazados ou foi ‘erro’ do digitador da BandNews ... caso a ser refletido.

Após o furo da mídia comercial, vem o terceiro voto condenando Lula em segunda instância e a condenação proposta pelo juiz Sérgio Moro, de 9 anos e meio de prisão, foi aumentada pelos desembargadores do TRF4 para 12 anos e um mês, numa articulação para que Lula seja realmente preso. Se mantivessem a pena proposta por Moro, o desenrolar do processo seria outro.

Em fevereiro, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia pauta a proposta de reforma da Previdência para o dia 19 de fevereiro e a CUT e outras centrais começam a organizar a greve contrária a proposta, mas, próximo a data da discussão da reforma no Congresso, os deputados e o governo perceberam que não conseguiriam os 308 votos favoráveis, retirando da pauta. Mas, pasmem, se somar tudo o que as empresas devedoras devem ao INSS, a cifra pode chegar a mais de bilhões de reais sonegados. A pergunta que temos que fazer é seguinte: por que a Receita Federal ou qualquer outro órgão do governo não cobram essas empresas?

Agora em março, o mundo todo celebra o Dia Internacional de Luta das Mulheres e o que vimos são casos de violência aumentando assustadoramente! Começamos pelo município de São Paulo, onde servidores municipais protestavam, de forma pacífica, na Câmara Municipal de São Paulo contra a proposta do prefeito João Doria (PSDB) de aumentar de 11% para 19% a contribuição dos servidores para a previdência, quando uma professora é agredida covardemente por um Guarda Civil Municipal, dentro da Câmara, sendo que o agressor é uma das pessoas que serão prejudicados pela reforma da previdência municipal.

Além da agressão na Câmara Municipal, a tropa de choque da Polícia Militar esperava os servidores do lado de fora e, mais uma vez, foram covardemente agredidos com bombas de gás lacrimogênio e tiros de borracha. Por qual razão tem que haver tamanha agressividade, se são manifestações pacíficas, sem depredação ao patrimônio.

E agora acompanhamos as agressões e questionamentos sobre a comoção à vereadora assassinada no Rio de Janeiro, de forma cruel, junto com seu motorista. Além de cidadã carioca, Marielle era uma vereadora eleita com mais de 40 mil votos.

Qual o Brasil que realmente queremos? Os meios de comunicação, em destaque para a Globo, faz comerciais dizendo que: “Globo, a gente se vê por aqui”! Só que não é bem assim se olharmos para o elenco da emissora, os negros não são vistos por lá, o público LGBT não são vistos por lá, sem terra e sem teto não são vistos por lá.

Precisamos parar e refletir o país que queremos. Não podemos ficar reféns da mídia comercial, precisamos nos aproximar de partidos que tenham um projeto claro para o Brasil. Precisamos nos aproximar dos sindicatos que lutam diariamente para que possamos agregar à luta. Precisamos escolher as melhores propostas para que o Brasil saia desta crise e derrote o golpe.

A CUT e os sindicatos filiados já afirmaram que as “eleições sem Lula é fraude”, que as reformas são somente para beneficiar o setor patronal e a CUT organiza, junto com os sindicatos filiados, a luta nas ruas deste país. Vamos juntos caminhar para um Brasil mais justo, solidário, fraterno e que respeite nossas mulheres, jovens, LGBT e os negros.