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Artigo

Doria impede o trabalho de cooperativas de catadores de recicláveis

Publicado: 09 Fevereiro, 2018 - 00h00

As cooperativas de catadores de materiais recicláveis possuem uma enorme importância social e ambiental: social porque elas organizam, geram trabalho, renda e dignidade a milhares de pessoas que viviam na linha da pobreza. E ambiental porque elas recolhem e encaminham para a reciclagem milhares de toneladas de materiais que, se não fosse pela ação destes importantes agentes ambientais, seriam depositados em lixões ou poderiam nem ser coletados, poluindo ainda mais o ambiente terrestre, aquático, costeiro e marítimo.

Infelizmente, a importância socioambiental das cooperativas de catadores de materiais recicláveis não é reconhecida pela gestão do prefeito João Doria (PSDB). Desde que assumiu a gestão municipal, o prefeito (que até já se vestiu de gari) vem ameaçando de despejo várias cooperativas na cidade, bem como apreendendo carroças e outros pertences de catadores. De acordo com o Movimento Nacional dos Catadores de Recicláveis (MNCR), cerca de 45 milhões de reais, que vêm do Ministério do Trabalho e do BNDES para a Prefeitura de São Paulo e que deveriam ser aplicados no apoio à operação das cooperativas, não estão sendo repassados.

O último ataque da gestão Doria aos catadores veio no início de fevereiro de 2018, quando a prefeitura retirou os caminhões gaiola das cooperativas de catadores a mando do TCM (Tribunal de Contas do Município). A alegação é a irregularidades na licitação feita pela Amlurb (Autoridade Municipal de Limpeza Urbana) com as empresas donas dos caminhões. Os catadores reclamam que a prefeitura não quis fazer a contratação de caminhões diretamente com as cooperativas, preferindo realizar convênios com empresas terceirizadas, bem como não possui um plano emergencial para a continuidade do serviço. A licitação fica suspensa até que a Amlurb envie ao TCM esclarecimentos sobre as irregularidades apontadas e se manifeste sobre eventuais correções no edital.

Junto com a retirada dos caminhões das cooperativas, houve também a suspenção da remuneração de catadores de diversas cooperativas, para não deixar dúvidas em relação ao valor que o prefeito Doria dá aos catadores de recicláveis.

Ou seja, a coleta seletiva na cidade, ao invés de ser incentivada, enfrenta sérias dificuldades. A retirada dos caminhões das cooperativas atingiu, inclusive, a coleta seletiva realizada no edifício sede da Central Única dos Trabalhadores (CUT), uma das ações do “Projeto EITA”, campanha da CUT sobre o uso consciente de recursos e reciclagem de resíduos.

Os catadores afirmam que as cooperativas deveriam realizar o serviço dos caminhões, bem como os catadores devem ser remunerados pelos serviços ambientais prestados: as cooperativas que realizam o serviço de porta em porta fazem um trabalho mais humanizado, com conscientização e orientação dos moradores em relação ao que deve ser feito para que a coleta seletiva seja bem implantada. Por outro lado, o serviço prestado pelas empresas com caminhões compactadores não oferece esclarecimentos aos moradores e o resultado é a baixa quantidade de material coletado, bem como a coleta de material misturado e de baixa qualidade ambiental.

Muitas cooperativas correm o risco de fechar suas portas por conta dessa política de desvalorização. Com isso perdem os catadores e catadoras, que não terão renda no final do mês, perde o meio ambiente, que será poluído, e perde a cidade que gastará mais dinheiro com aterramento dos resíduos.

Carnaval de resistência

No dia 13 de fevereiro (terça-feira de carnaval), a partir das 11h, o bloco “Carnaval Sem Catador É Lixo” desfilará pela região do Largo da Batata, em Pinheiros. Compareça e de seu apoio a esses importantes agentes socioambientais!

Carnaval sem catador é lixo!

Cidade linda sem catador é lixo!